Olá, meus caros, caras e coroas! 

Faz 7 anos que não escrevo nada substancial aqui no blog. Que saudade de vocês! Tem alguém vivo por aí? Morto-vivo também serve... 😆

Muita coisa mudou nos últimos 7 anos, tanto no mundo real (pra piorar) como no meu mundinho privado (pra melhor). 

Resumidamente, casei com a mulher mais bunduda do mundo (nice!), virei dono de husky (please, help me) e me tornei o advogado mais bem sucedido do meu prédio (excellent!).

Pois bem, com exceção dos filmes de terror, ano após ano, minha amada 7ª arte só piora. Trágico! 

Ultimamente, só temos sequências ruins de franquias consolidadas, remakes intragáveis, animações mongolóides e filmes de superherois para adolescentes de 40 anos. Trágico²!

Porém, jovem libélula, como mencionei, o cinema de terror continua em alto nível! Sinceramente, é o único gênero que se salva ultimamente. E foi isso que, depois de tantos anos, me motivou a escrever essa postagem.

2026 foi um ano (e continua sendo, pois ainda estamos em julho) excepcional para o cinema de terror. Sério, galerinha do barulho da serra elétrica, estou pulando de felicidade em campos verdejantes de sanguinolência, sustos e gritos de sofrimento! Um filme de terror melhor que o outro! 

E como terror é meu gênero favorito, decidi fazer uma postagem com os 10 Melhores Filmes de Terror do Século 21! Mas como sou doente por cinema, 10 acabaram virando 50! Pois é, o rivotril acabou, paciência. 

Sim, meus queridos anjinhos, farei a crítica dos 50 melhores filmes de terror do século 21! Bom, pelo menos até o momento. Em 2099 eu refaço a lista. 

Não serão críticas longas. Um parágrafo é suficiente (veremos se meu poder de síntese está calibrado). 

É claro que essa é minha lista, logo, minha opinião. E minha opinião é sempre a correta, dãã! Então, se você não concorda, não tem problema. Ninguém é obrigado a concordar com a verdade. 

Olha o gatilho, calma, respira... Inspira, expira. 

Brincadeiras a parte, sinta-se a vontade para comentar, elogiar, debater, elogiar, xingar, elogiar, e não esqueça de elogiar.

Leia e se divirta. Assim como eu me diverti escrevendo. 😉

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Antes de começar a lista em si, preciso esclarecer algumas regras. Em primeiro lugar é uma lista purista de terror e horror. Ou seja, propositalmente deixei de fora filmes de comédia, ação ou drama com elementos de terror. Entram nesse corte filmes como Todo Mundo Quase Morto, Tucker & Dale Contra o Mal, Anticristo, Deathgasm (crítica completa aqui) etc. São filmes que eu adoro, mas não são de terror-terror, sabe? 

Para entrar na lista o filme precisa ser pelo menos 75% terror. Eu juro que tentei colocar algumas coisas do Sam Raimi, o clássico Arraste-me para o Inferno ou o recente Socorro!, mas tem muita comédia e tiração de sarro, não passou pelo crivo.

Também deixei de fora filmes que parecem terror, cheiram a terror, andam como terror, mas na verdade são suspenses. Podemos citar, Triângulo do Medo (2009), Janela Secreta (2004) ou Hannibal (2001).

Além disso, deixei de fora filmes famosos que muita gente idolatra, mas que no fundo são grandes porcarias. Por exemplo, Midsommar (2019 - plágio mal feito de Wicker Man), Hereditário (2018 - chororô intragável), e Um Lugar Silencioso (2018 - o exército americano NUNCA iria perder para aquelas criaturas. Ponto!).

Também me foquei quase que exclusivamente no cinema ocidental. Pessoal, eu até gosto de filmes orientais... Sejam japoneses, coreanos, indonésios ou tailandeses (principalmente os que tem happy end). Mas os filmes de terror orientais não surtem nenhum efeito em mim. Simplesmente não me assustam. Sei lá, talvez seja a cadência dos filmes, ou as atuações monotônicas, ou a falta de pomposos seios... A questão é que não curto. Para os fãs de Train to Busan, sorry. Viva a América, né? 

A última regra é a seguinte: apesar de ser uma lista pessoal, montei ela levando em consideração a qualidade objetiva dos filmes e não necessariamente minhas preferências subjetivas. Deu nó na cabeça? Pois é, deixa eu explicar melhor. Meus filmes favoritos não estão necessariamente nas melhores colocações, captou? Eu consigo separar a qualidade objetiva da visão subjetiva. Os filmes que eu mais gosto estão aí no meio, mas numa colocação compatível com a sua qualidade. Quais são esses filmes? Bom, ao final de tudo eu revelo. 

Por fim, deixo aqui registrado as menções honrosas. Filmes ótimos, mas que não entraram para o corte final:

  • O Chamado (2002) - Pô, é um clássico, né? Não podia ficar de fora. Mas sinto que não manteve bem sua influência. O tempo e as referências pops acabaram um pouco com o filme. Tipo o quê o carro do gás fez com Fur Elise. 
  • Seres Rastejantes (2006) - Ah, que delícia. Uma grandiosa homenagem ao body horror oitentista. Primeiro longa metragem de James Gunn, que por sua vez, foi discípulo de Llyod Kaufman, papai da Troma. Uma pérola esquecida.

  • O Nevoeiro (2007) - Aquela mistura gostosa do Stephen King: criaturas bizarras, pessoas neuróticas trancafiadas e a sempre presente crítica a religião. Cristã, no caso, como sempre. Coragem pra criticar o islã publicamente ninguém tem, né? É que Jesus não revida. Em todo caso, o filme tem dois finais. O melhor é o final trágico. E bota trágico nisso.

  • 1408 (2007) - Outro King nas paradas. Quase fiquei louco junto com João Cú & saco. Aliás, acho que fiquei mesmo. 

  • Pontypool (2008) - Tenho um carinho especial por esse filme. Uma invasão zumbi contada por um radialista. Super original, e por incrível que pareça, bem tenso.

  • Pandorum (2009) - Terror numa nave espacial abandonada? Onde eu já vi isso antes? Um belo exemplo de como é possível acrescentar camadas, atmosfera e tensão para uma ideia clichê, e no fim, entregar um resultado bem acima da média. Às vezes, não é necessário reinventar tudo do zero. Só faça algo bem feito com aquilo que você tem disponível (Frase de efeito de parede de academia, aliás).
  • Sobrenatural (2010) - Aqui eu vou ser polêmico. O filme é legal. Mas a melhor coisa do filme quase não aparece. Que potencial desperdiçado. E não gosto tanto desses draminhas de pai salvando o filho(a) com o poder do amor. Prefiro o poder da munição. I'm a simple dude, what can I say...

  • Você é o próximo (2011) - Quando for invadir uma casa, certifique-se os moradores não são mais doidos que você.
  • Sala Verde (2015) - Punks tentando sobreviver a um grupo de skinheads assassinos. Survival bem feitinho. Nada espetacular, mas não ofende. 
  • O Uivo (2015) - Inglaterra. Lua cheia. Lobisomem. Precisa de algo mais? Terror no estilão década de 80, mas com execução moderna agradável.
  • O Convite (2015) - Jantar. Ex-mulher. Traumas. Vixi, imagina o barraco?! Por ser meio lento e a parte boa estar só no fim, infelizmente não entrou no corte final. 
  • Quando as Luzes se Apagam (2016) - Jump scares na sua essência. É filme pra assistir com a namorada enquanto come pipoca (y otras cositas más). O interessante é que o filme é baseado num curta metragem de 2 minutos. O curta consegue ser melhor que o próprio filme. Aliás, só coloquei ele aqui pra você ir assistir o curta. 

  • O Homem nas Trevas (2016) - No geral, é um filmaço. Só não pare pra pensar muito. Como um bando de jovens não consegue matar a porcaria de um velho cego?? Mesmo se fosse o Schwarzenegger, se ele estivesse cego, daria para matar ele. O cara tá cego, pô! Só desce uma paulada na cabeça pelas costas. 
  • A Seita Maldita (2017) - Terror cósmico em sua essência. Um pouco confuso para quem não conhece o gênero, mas com certeza deixou H.P. Lovecraft orgulhoso.
  • O Ritual (2017) - Amigos. Floresta. Traumas. Criatura folclórica demoníaca. Shut up and take my money!
  • Ao Cair da Noite (2017) - O filme é muito bom. Teria sido melhor se eu tivesse conseguido ver alguma coisa. A fotografia é muito escura, a tal ponto, que prejudica assistir ao próprio filme. É praticamente um audiobook.
  • Apóstolo (2018) - Folk horror bem redondinho. Não reinventou a roda, mas me agradou. Infelizmente, não senti que os protagonistas estivessem realmente em perigo, sabe? Faltou mais tensão, nos moldes de Wicker Man (1973).
  • Nós (2019) - Climão tenso, história interessante, execução bacana. Mas atuações forçadas demais. Desculpa ai, "Helena de Tróia", não rolou.
  • Espíritos Obscuros (2021) - Pesadinho, hein? Bem gráfico. Não recomendo para todo mundo.
  • Drácula: A Última Viagem do Demeter (2023) - Você já se perguntou o que o vampirinho serelepe Drácula aprontou na viagem de barco entre Transilvânia e Inglaterra? Pois então esse filme é pra você!
  • Entrevista com o Demônio (2023) - Esse quase não entra nem para as menções honrosas! Tem cenas bem perturbadoras, de fato. Mas devido as inúmeras críticas favoráveis, eu esperava ser um filmaço... Longe disso, foi bem basicão. Um sábio certa vez disse: "Expectativa é tudo". 
  • Presença (2024) - Aqui já é o inverso. Não esperava nada desse filme, e foi legal pra caramba. O cérebro é um utensílio doméstico deveras complicado.
  • A Hora do Mal (2025) - Acredite se quiser, mas se não fosse pelo final desse filme, com certeza ele estaria no pódio da lista final. Até os últimos 10 minutos, é uma verdadeira obra-prima do horror. Original, brutal e tenso! Dava pra agarrar a tensão na sala de cinema. Infelizmente, o final é tão anticlimático (pra não chamar de merdoso) que destruiu tudo que foi constrído no decorrer do filme. Sabe aquele atacante que dribla o time inteiro, chega na cara do goleiro e erra o gol? Pois bem, é basicamente isso.

Em todo caso, sem maiores delongas, bora logo pra essa lista!!

👻😎

50. The Devil's Candy (2015)

The Devil's Candy (2015)
SINOPSE: Um pintor/guitarrista acaba sendo possuído por forças trevosas depois de se mudar com a família para uma nova casa.

CRÍTICA: Um filme pouquíssimo conhecido fora dos círculos de aficcionados por terror. Tanto é verdade que eu nem encontrei o nome oficial em português, por isso mantive em inglês (talvez nenhuma distribuidora tuquiniquim tenha adquirido os direitos ainda).

Na época de seu lançamento causou certo burburinho, mas de lá para cá, infelizmente caiu no esquecimento. E eu estou aqui para mudar isso! 

A história é relativamente simples: possessão demoníaca e blá, blá, blá. O verdadeiro diferencial é a atmosfera do filme. Uma pegada meio punk/rock/metal, sabe? 

O protagonista é um pintor rockeiro, então temos diversas cenas dele tocando guitarra. Eu também toco guitarra e faço meus desenhos (@marinodoodleart), então imagine minha felicidade assistindo esse filme (demônios a parte, é claro). 

É um filme um pouco pesado que mexe com traumas, família, stalkers... Ou seja, o roteiro também brinca com outras camadas além do puro gore. A execução poderia ser melhor, parece que a guitarra do diretor não estava super bem afinada, mas no geral é uma grata surpresa. NOTA: 6.5


49. Assim na Terra como no Inferno (2014)

As Above, So Below (2014)
SINOPSE: Um grupo de arqueólogos retardades decide se embrenhar nas catacumbas de Paris. O que será que poderia dar errado?

CRÍTICA: Um dos poucos filmes found footage que eu gosto. Digo um dos poucos, pois apesar da imensa oferta de filmes desse gênero no mercado, é muito díficil achar um bem feito (Fuck you, shaky camera!).

A história é crível e o desenrolar dos acontecimentos é bem competente. É muito interessante pensar que as Catacumbas de Paris é um lugar que existe realmente. Macabro! 

O monstro aqui talvez nem seja algo literal, mas sim, os fantasmas no guarda-roupas de cada personagem. Cada um deles terá que lidar com seu respectivo trauma. Olha que delícia! Os sustos são legais e a sensação de urgência está ali no meio.

Tem alguns detalhes que me incomodam? Claro. Tipo aqueles personagens que parecem que deixaram o cérebro em casa. Ódio. Mas no fim das contas, para quem gosta de found footage, é um filme bem divertido. Quem não gosta, eu recomendo dar uma chance. Matar não vai, né? Bom, pelo menos acho que não. NOTA: 6.5

48. O Babadook (2014)

The Babadook (2014)
SINOPSE: Mãe e filha passam por maus bocados quando um livro infantil intitulado "Babadook" começa a manifestar forças sombrias dentro de casa.

CRÍTICA: Rapaizzzz... Já olhou debaixo da sua cama hoje? Dá uma conferida lá por via das dúvidas. Haha. Babadook vem da palavra sérvia "babaroga", e significa literalmnte "bicho-papão".

Olha, no geral eu gostei. Mas sinto não mexeu tanto comigo como deveria. Acho que o filme tem um público alvo um pouco mais específico, pois está no limite do drama. Tem um poquinho de chororô aí no meio. Quase não entrou na lista final, mas como a atmosfera é perturbadora e os sustos muito bem elaborados, fez por merecer uma vaga aqui. NOTA: 6.5


47. Campo do Medo (2019)

In Tall Grass (2019)
SINOPSE: Depois de um grito de ajuda vindo de um campo com grama alta, dois irmãos se aventuram campo adentro para tentar ajudar. Mas o que eles descobrem lá dentro pode ir muito além da compreensão humana.

CRÍTICA: Depois do carro assassino, cachorro assassino, piscina assassina, Stephen King ataca de novo com... A Grama Assassina!

Sério, é impressionante a capacidade do cara de pegar objetos ou lugares banais e cooptá-los para o terror. Algum dia, esse quatro olhos ainda vai fazer a geladeira assassina! Aliás, esse filme já existe, foi feito em 1991. E sim, eu assisti! É uma merda tão grande (Porque eu faço isso comigo mesmo? Eu preciso de ajuda!! Anywayyyy...).

Indo na contramão das críticas, que avacalharam com esse filme, eu orgulhosamente digo: "O filme é bom! Não dê ouvidos aos haters!"

Por que motivo esse filme seria ruim? Tem uma história apavorante e claustrofóbica, tem lição de moral, tem o Patrick Wilson chapadão nas trevas, tem labirintos psicológicos intrincados e perseguições desesperadas! Rapaz, o filme é bom. Não posso falar muito mais, pois poderia estragar o final, mas digamos que o Lovecraft gostou. Captou? NOTA: 7

46. Turistas (2006)

Turistas (2006)
SINOPSE: Mochileiros gringos sofrem um acidente de ônibus e ficam isolados na zona da mata brasileira. Com isso, encontrarão um lado bem nefasto da região. 

CRÍTICA: É basicamente "O Albergue" tupiniquim. E é muito legal, pô! 

Acompanhar um bando de gringo folgado (que dizem querer conhecer lugares novos, mas no fundo só querem usar drogas e comer nossas mulheres) se ferrando em situações pavorosas, não é nada mal.

Tecnicamente, o filme é muito bem filmado. Realmente nos sentimos lá dentro das praias, matas e cachoeiras. Porém, pintam a população da região da mata como pobres selvagens analfabetos (o que é verdade, infelizmente cof cof). Apesar de ser um filme americano, ele foi filmado inteiramente aqui no Brasil.

Sobre o enredo, depois que os imbecis americanos (ou australianos, nem ligo) finalmente percebem a enrascada que se encontram, o filme começa de verdade. Aquele joguinho tenso de gato e rato (survival). A motivação do vilão é diferente de "O Albergue", não posso falar muito senão estrago. O que eu posso falar é o seguinte: o vilão é cara com mais bom senso do filme. Haha. NOTA: 7


45. A Visita (2015)

The Visit (2015)
SINOPSE: Depois de muitos anos, dois irmãos adolescentes vão visitar os avós durante as férias. Porém, os avós estão muito esquisitos. O que poderia ser?

CRÍTICA: Alienação avoenga dá nisso aí. Haha. Nunca abandonem seus avós, pessoal. Em todo caso, o filme tem uma aura desconfortável e inquietante, e tudo vai ficando cada vez mais agonizante até a revelação final. 

O fofinho do M. Night Shyamalan mandou bem nessa obra. Infelizmente, não posso falar muito mais, pois como a maioria dos filmes do indiano é melhor assistir sem saber praticamente nada. São filmes muito alicerçados em plot twist. E todos nós amamos um plot twist. Só não é melhor que pizza. NOTA: 7


44. A Cura (2016)

A Cure For Wellness (2016)
SINOPSE: Um spa de luxo nos alpes suíços esconde um macabro segredo. Ficará a encargo de um jovem e ambicioso executivo descobrir a verdade por trás do lugar.

CRÍTICA: Eu simplesmete adoro esse filme! Se dependesse apenas do meu gosto pessoal, ele estaria mais acima na lista. Mas algumas falhas o seguraram por aqui mesmo. 

A história é muito intrigante, você sente um mistério quase palpável no ar. As bizarrices gradativamente aumentam, culminando em cenas agonizantes (até indigestas, ouso dizer). 

A fotografia é arrebatadora, a trilha sonora soberba e a atuação da maioria dos atores é ímpar. Com exceção da cara de pastel da Mia Goth, essa aí não consegue atuar nem que os lindos seios dela dependessem disso.

Um outro probleminha é o run time... Meu amigo, 2h30 de filme. Naquela pegada slow burning ainda por cima. Não é fácil não, se estiver com sono, já era. É só não deixar para assistir muito tarde, mas assista sim! Vale a pena! NOTA: 7.5


43. O Último Trem (2008)

The Midnight Meat Train (2008)
SINOPSE: Um fotógrafo em busca de imagens impactantes acaba entrando no caminho de um serial killer, e isso acaba envolvendo-o no macabro mistério do trem da meia noite.

CRÍTICA: Man, oh, man! I really dig this movie! Já assisti duas vezes, e parece que ele só melhorou entre uma assistida e outra. 

Você me permite inovar? Pois bem, vou cunhar um termo: gore noir! É a única maneira que consigo sintetizar esse filmaço. 

Entenda... Ele tem aquele ar melancólico de investigação remetendo aos clássicos filmes noir, mas conforme avançamos na trama, a sanguinolência e insanidade transformam tudo num legítimo splatter gore! 

Essa mescla de estilos transformam esse filme em algo único, visualmente falando. Valeria a pena só por isso. Mas podemos ir além, a história é bem interessante... Por que esse serial killer taciturno ataca nas estações de metrô? Para onde vai o trem da meia noite? É a busca por essas respostas que te prende do começo ao fim.

E como não amar o Vinnie Jones? O cara é um brucutu das antigas. Esse modelo de carranca parou de fabricar na década de 60. Por fim, o filme é baseado numa história do magistral Clive Barker e foi idealizado por sua produtora, Midnight Picture Show. Tinha como dar errado? All Aboard!!! NOTA: 7.5


42. O Albergue (2005)

Hostel (2005)
SINOPSE: Três mochileiros partem para uma cidade eslovaca que promete satisfazer seus prazeres com lindas mulheres, sem desconfiar do inferno que os aguarda.

CRÍTICA: Senta que lá vem história... Ahhh, saudoso 2008. Quase vinte anos atrás, estou ficando velho. Na época, eu estava no colegial. Lembro claramente desse filme no cinema em 2005, mas devido a censura +18 não deu para assistir ao "filme mais assustador da década" (vamos falar sobre isso mais pra frente). 

Porém, em 2008 o filme já estava nas locadoras (Quem topa abrir uma locadora comigo? Bora trazer esse monumento cultural de volta!). 

Nessa época, eu já assistia muitos filmes. Muitos mesmo, tipo uns três por dia, seja na TV, locadora, baixando ou YouTube em 240p (sim, também tinha filme completo naqueles tempos no YT, só que os filmes eram divididos em diversas partes de 10 minutos cada, pois era o limite de tempo permitido - "na minha época, aqui era tudo bits").

Em todo caso... Minha mãe pagava perua para eu voltar para casa da escola (sim, sim... sou um playboy da classe média paulistana, nossa que pecado... Praticamente um escravocata), mas muitas vezes eu abria mão dessa benesse para voltar andando mesmo... Para passear no parque próximo, geralmente para sentar e ler (lia muito também). Mas na maioria das vezes, eu passava era na locadora! Oh, saudade... Já estava naquele período da decadência das locadoras, então tinha muita promoção de aluguel por 5 reais, até 1 real, acredite se quiser.

E foi num desses dias que eu o vi... O Albergue! (imagina um susurro fantasmagórico no pé do ouvido). Eu olhei para ele, ele me olhou. Nós nos olhamos. Foi amor a primeira vista. 

Era uma época meio trevosa da minha vida (andava lendo coisas sobre ocultismo, feitiçaria e até coisas mais pesadas que não vale a pena mencionar aqui), então eu sentia uma necessidade cabalística de assistir "O Albergue", até mesmo como se fosse um rito de passagem... Uma maneira de me reafirmar na vida adulta (e oculta) que eu estava adentrando. Afinal era o "filme de terror mais pesado já feito", e isso e aquilo. Na minha cabeça o enredeo devia ser até algo satânico, sei lá. 

Peguei o filme e fui para o balcão. Eu tinha feito amizade com a atendente, gente boníssima, mas ela lembrava a Fiona do Shrek (Sim, ela era verde. O que você imaginou, preconceituoso?). Ela me avisou: "Esse filme é pesado, hein". Respondi alguma coisa idiota que só os adolescentes tem a capacidade de dizer. Paguei e fui correndo pra casa.

Chegando lá, tomei um banho de 37 segundos, almocei um prato de 2.500kcal, bati uma punheta (provavelmente imaginando a Gianna Michaels ou a Carmella Bing), sentei no meu notebook e coloquei o filme. 

Apesar de saber de sua existência há pelo menos 3 anos, nunca tinha lido nada sobre o enredo (sequer olhei a contracapa do DVD no caminho para casa). Eu sempre quis ver o filme o mais "no pelo" possível, entende? E foi exatamente o que eu fiz... E 1h30m depois... Decepção total.

Gente, talvez tenha sido a maior quebra de expectativa da minha vida. Haha. O filme é um torture porn normalzinho. A década de 70 está cheia disso, coisas até mais pesadas se você for parar pra pensar. 

Não tô falando que o filme é ruim, pelo contrário. Continua sendo aterrorizante (com algumas poucas pitadas de humor). As cenas de tortura são muito realistas (sim, sou crítico de torturas medievais também), a cadência do filme é bem ágil, o que te mantém de olho na tela a todo momento, o desenvolvimento de personagens é muito bem feito, e de quebra, ainda tem vários peitinhos (Puxa, puxa, que puxa!). No geral, é muito bom! A melhor obra do Eli Roth, se bobear. 

Mas não é o filme mais pesado já feito, longe disso. Antes dele tinha coisa mais pesada e de lá pra cá já surgiram coisas muito mais pesadas, tipo Bring Her Back (que também entrou nessa lista). Parando novamente pra pensar, até O Albergue 2 é mais pesado que O Albergue 1. Haha.

A culpa foi um pouco minha por ter acreditado demais no marketing. Por ter ido com sede demais ao pote de sangue. Em todo caso, guardo com muito carinho no meu coração toda essa experiência. Pelo menos uma coisa "O Albergue" me ensinou: não acreditar tanto no marketing. NOTA: 7.5


41. Last Shift (2014)

Last Shift (2014)
SINOPSE: Uma policial novata fica encarregada do último turno em uma delegacia. No decorrer da noite coisas macabras acontecem, levando-a ao limite da sanidade.

CRÍTICA: Espero que suas orações estejam em dia, porque esse aqui é uma pedrada! Um dos poucos filmes da lista que me deram medo genuíno. 

Apesar de ser um filme de baixo orçamento, os sustos são muito bem elaborados, a maquiagem das criaturas é grotesca (no bom sentido) e a atmosfera perturbadora une tudo com maestria. 

O orçamento limitado, cria aquela pegada de filme B, que de certa maneira, traz mais realismo para as cenas. Ainda não consigo dizer se isso é bom ou ruim. Por um lado, se dedicaram em criar um mundo nefasto, por outro, talvez tenha sido real demais. Haja coração.

O design dos demônios/assombrações é visceral, meio orgânico, parece que a maquiagem respira. Macabro demais! Basta olhar para a capa ao lado para ter uma pequena noção do que estou falando. Eu realmente estava com dó da policial. Coitada, passou por maus bocados. 

Interessante mencionar que o diretor Anthony DiBlasi também foi o produtor de "O Último Trem", ou seja, o cara tem gabarito no horror. Além disso, DiBlasi fez algo único na história do cinema americao: um remake do próprio filme! Last Shift foi refilmado em 2023 com o nome "Malum".

DiBlasi refez a história com um orçamento maior para poder lançar nos cinemas, visto que o original foi lançado direct-to-dvd. Agora adivinha? "Malum" é bem pior que "Last Shift". O que se passa na cabeça desses diretores, hein? É o mesmo que começar uma prova com um colinha e ainda assim ser reprovado. Nem perca seu tempo com Malum.

Graças a pegada underground e a efetiva sensação de medo, eu ainda prefiro 1000 vezes o original. Não dá prazer quando alguém faz um baita filme com recursos limitados? Bom, eu sinto (tenho fetiches estranhos).

Também não consegui achar o nome do filme em português, provavelmente ainda não saiu oficialmente em terra brasilis. Entretanto, se assim como eu, você também é fã de terrores mais pesados, dê seus pulos pra conseguir assistir. E bons pesadelos! NOTA: 7.5


40. Contos do Dia das Bruxas (2007)

Trick'r Treat (2007)
SINOPSE: Antologia de contos relacionados ao Halloween. Todos eles se conectam de uma maneira ou de outra. 

CRÍTICA: Na minha opinião, a melhor coletânea de contos de terror já feita! Esqueça Creepshow, esqueça Tales from the Crypt, essa aqui é o real deal!

Tento assistir todo ano por volta do Halloween. Ou seja, já assisti pelo menos 10 vezes. E continua excelente, simplesmente não tem como enjoar.

A fotografia é soberba! Conseguiram capturar todo aquele clima de cidadezinha do interior americano na época do Halloween. Quem não gosta, né? 

A trilha sonora é bem icônica, com aquele tom eerie fantasmagórico, lembrando uma trilha sonora de filme do Tim Burton. E pra fechar com chave de ouro, temos muitos atores famosinhos no elenco (Anna Paquin, Brian Cox, Dylan Baker), logo, as atuações também são muito competentes.

Temos contos sobre lobisomens, vampiros, bruxas, fantasmas... Ou seja, o pacote completo! Mais legal ainda é a presença desse menininho aí do cartaz, chamado Sam. Com certeza, o nome é uma referência a Samhain, que era uma festa gaélica pagã relacionada a época da colheita, que dizem ter influenciado muitas tradições do Halloween, inclusive coisas que permanecem até hoje, como a prática de usar fantasias para enganar os maus espíritos.

Sam não é só um dos personagens do filme... Ele também funciona como um mascote, ou melhor, um ser onisciente, observando tudo que acontece. Parecido com o Crypt-Keeper do também clássico Tales from the Crypt, ou ainda, The Old Witch e The Vault Keeper, da série de quadrinhos de terror da EC Comics.

Vale ressaltar que temos muitos sustos, mortes e violência, mas por incrível que pareça, ainda assim é um filme leve. O que quero dizer com isso é o seguinte: a violência não é algo extremo e gratuito. Pelo contrário, ela está presente, mas de uma forma comedida, ajudando a contar as tramas. O foco é a atmosfera macabra e as histórias dos personagens. Os sustos, mortes e violência são secundários. Lembra muito os contos de fadas dos Irmãos Grimm, até porque todos os contos aqui presentes possuem plot twists muito inteligentes.

É esse equilíbrio gostoso que transforma essa coletânea numa pequena obra-prima. Se bobear é o melhor filme de Halloween já feito. Conseguiram capturar a verdadeira essência da noite das bruxas! 

Nunca fizeram nenhuma sequência... E acho melhor assim! Geralmente quando um filme de terror faz sucesso, o estúdio surge, mais rápido que a fome em país comunista, quererendo captalizar em cima, lançando trocentas sequências, em sua maioria, verdadeiras porcarias (olha o que fizeram com Hellraiser ou Jogos Mortais). É melhor deixar essa pérola do jeito que está: um excelente respiro de qualidade, sem sequências ou remakes. Um clássico instantâneo!

A única coisa que eu mudaria é a escolha do título em português. Já escrevi uma postagem falando das imbecialidades das pessoas responsáveis por escolherem os títulos dos filmes no Brasil (confira aqui). E nesse filme, eles atacaram de novo! 

Eu até entendo adaptar um título que só tem significado em outro país para algo mais comercial e com maior identificação com nossa população. Porém, sempre que possível deve-se adaptar ou traduzir o mais literal possível. E nesse caso, o nome original em inglês é Trick or Treat, que significa literalmente Gostosuras ou Travessuras. Essa não é uma expressão desconhecida dos brasileiros. Não tem nenhum motivo plaúsivel para não traduzir o mais literal possível. Vai entender o que se passa na cabeça desses chefes de departamento de tradução das distribuidoras. Acho que eles gostam é de complicar a vida de cinéfilos, isso sim!

Por fim, é o tipo de filme que dá pra assistir tranquilamente com um filho mais novo. Vai traumatizar? Não. Vai assustar? Sim. Mas no fim das contas, não é pra isso que um filme de terror serve? 

Essa coletânea não é redondinha, ela é redondona! Perfeita em muitos aspectos. Se não te agradar, é porque você deve ser um chato. Haha. Assista todo ano sem medo! Aliás, com um pouquinho de medo. Só não esqueça da pipoca. NOTA: 8


Bem, meus caros, caras e coroas, por enquanto é só!

Tá dando muito trabalho fazer essa lista. Conciliar escrever aqui com o trabalho, tá meio osso. Mas irei terminar, óbvio.

Farei o seguinte: irei acrescentar 10 filmes por semana na lista. Assim ninguém precisa ler tudo de uma única vez (se é que alguém faz isso). Além disso, vocês podem voltar aqui toda semana para me dar um "oi". Não me deixem sozinho. É muito escuro e solitário aqui. Haha.

O cronograma é o seguinte: 

Filmes #39 a #31 - Dia 1 de agosto.
Filmes #30 a #21 - Dia 8 de agosto.
Filmes #20 a #11 - Dia 15 de agosto.
Filmes #10 a #01 - Dia 22 de agosto.

Nos vemos lá!

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