A Hora Final (1959)


Olá, meus caros.

Eu gostaria muito de não ter uma postura ofensiva sobre esse filme, mas infelizmente não irei conseguir. Conforme o assisti, percebi dezenas de defeitos na estrutura do enredo (E em algumas atuações).

O plano de fundo da história é simples. No auge da Guerra Fria, as explosões nucleares realmente aconteceram e o único lugar do planeta não diretamente atingido foi a Austrália. Gradativamente a radiação está se aproximando do continente, o que leva a população a tomar certas medidas para sobreviver. 

Cada personagem irá representar aqueles velhos (Na época nem tanto) esteriótipos que já conhecemos... O casalzinho apaixonado, o casalzinho pós-maduro, o cientista alcoólatra, o capitão sereno e por ai vai...

"On the SHIT" é um nome mais apropriado para esse filme.
O talento do elenco é indiscutível, com especial mérito para a atuação de Ava Gardner. Peck, como sempre, nos presenteia com uma atuação objetiva e centrada (Fiel ativista do não uso de armas nucleares, Peck decidiu participar do projeto). Astaire, em seu primeiro filme não-musical, consegue impactar com presença e sentimento. Todavia, não consegui ficar sequer minimamente satisfeito com a atuação de Anthony Perkins (Talvez ele só saiba ser o Norman Bates, mesmo...)

Ele é um ator boa pinta, mas sempre parece estar distante nas cenas e não consegue desenvolver certas expressões que se fariam valer em dados momentos. Ele não era um ator estreante, nem nada, mas é perceptível o amadorismo em sua atuação, principalmente quando comparado com seus co-astros.





Diversos elementos da história também não consigo digerir. Por que raios todo mundo está tão normal?? Gente, o planeta foi "destruído" e está repleto de radiação, que por sua vez, está se aproximando... E as pessoas continuam indo na praia?? Indo trabalhar de bicicleta ou de cavalo com um sorriso no rosto? Que lógica há nisso? Vamos supor que não existisse escapatória do macabro destino que aguardava a população... Esperar sem fazer nada é que realmente não iria ajudar a mudar a situação! Por que esse povo não construiu Vaults ou qualquer coisa do tipo? 

Um diálogo entre a população deveria ser assim:

-Olha a radiação está chegando... Vamos construir alguma coisa para nos proteger?
-Que nada, vamos no praia tomar um solzinho... 
...

Eu sinceramente fiquei feliz que todos esses imbecis morreram.



Não há dúvida que todo o orçamento do filme foi usado para pagar os atores. Um filme completamente parado, com diálogos e mais diálogos. Isso não seria algo ruim se você quisesse assistir a um melodrama histórico. Mas, por favor, se você quer fazer um filme pós-apocalíptico, coloque bastante discussão e explosões, e, se possível, humanos deformados pela radiação. 

O diretor de "A Hora Final" é nada mais, nada menos que Stanley Kramer. Um dos maiores nomes de Hollywood. Ele é o pai dos "filmes com mensagem", mas neste filme seu trabalho como diretor ficou a desejar. Não obstante, ele e/ou o cameraman não conseguiam manter a câmera fixa de jeito nenhum e constantemente cortavam a cabeça dos atores. Não se deram ao esforço de filmar um, pelo menos um, prédio em ruínas para dar o mínimo de realismo a um filme desse gênero.

Perceberam o que quero dizer? O barquinho é mais importante que a cabeça da atriz.
O máximo de ação que chegamos a ter fica a encargo de uma cena de corrida de carros, em que 4 ou 5 dos pilotos batem e seus respectivos carros explodem. E todos do platéia aplaudem o vencedor (Fred Astaire), sem se importar para os pobres coitados que tiveram seus corpos carbonizados nas explosões... Que bela lógica para um filme que quer passar uma lição de "esquecer a guerra e amar o próximo"!


Muitos descrevem esse filme como excelente, verdadeiro clássico, não sei o quê, não sei o quê lá... Mas na minha singela opinião, esse filme é uma porcaria, independente se passa uma mensagem consciente ou se tem um par de ótimas atuações, o filme como um todo não é bom. São 2h15 de imagens estáticas e sem carisma (Não consigo me importar com os personagens). Não tem sequer uma boa trilha sonora!

Para concluir, o motivo da guerra ter acontecido é simplesmente ridículo. Não irei dizer qual foi, deixarei para os bravos descobrirem. Recomendo apenas para cinéfilos.

NOTA: 5

Capitão, péssimas notícias...

WALL-E (2008)

Olá, meus caros.

Quando assisti Wall-E pela primeira vez, fiquei completamente extasiado. Inúmeros foram os motivos para tal. A beleza desta obra é única! Seja a carisma do personagem, o plano de fundo pós-apocalíptico ou a belíssima trilha sonora, tudo contribui para a total imersão na história. Sei que já faz 6 anos do lançamento deste filme e que quase todos já assistiram ao mesmo, mas preciso, mesmo que sumariamente, descrever minhas opiniões sobre ele.

Sou suspeito em dizer muita informação favorável, pois, amo filmes pós-apocalípticos, mas Wall-E é sem dúvida minha animação preferida até o momento. Adoro "A Bela e a Fera", "O Rei Leão", "A Branca de Neve" e "Toy Story", é claro... Mas Wall-E conseguiu atingir-me em um nível muito profundo.

A história é muito bem trabalhada no decorrer da trama. Nosso planeta tornou-se inabitável devido a descomunal produção de lixo, ocasionada pelo super consumismo facilitado pela mega corporação Buy 'n' Large. Com isso, no ano de 2105, os seres humanos foram enviados ao espaço pela mesma corporação para viverem em gigantescas naves totalmente automáticas. Robôs ficaram responsáveis por limpar e recuperar o planeta até o suposto retorno dos seres humanos. Os robôs em questão: os "Wall-E" (Waste Allocation Load Lifter - Earth class). No ano de 2805, apenas um Wall-E conseguiu resistir as intempéries da Terra, que por sua vez, começou a apresentar tempestades de areia colossais. Em seus 700 anos de utilidade, Wall-E desenvolveu personalidade própria (Apesar de ainda respeitar as Três Leis da Robótica, de Asimov), e resistiu ao tempo se reparando com peças dos outros robôs desativados ou parcialmente quebrados. Wall-E possui apenas uma amiga... Uma simpática baratinha. Certo dia, uma nave de reconhecimento, de uma das naves maiores, mais precisamente a "Axioma" que estava vagando pelo espaço, chega a Terra e libera um outro robô, consideravelmente mais avançado... A função da EVE (Extraterrestrial Vegetation Evaluator), o novo robô, é recuperar vestígios de vida orgânica na Terra. É aqui que o filme verdadeiramente começa a ganhar brilho, pois, Wall-E imediatamente se apaixona por EVE e está disposto a fazer tudo para vê-la em segurança e ao seu lado.


O filme possui muita comédia, como é de costume nas animações da Disney/Pixar. É simplesmente impossível de não se apaixonar pelas trabalhadas de Wall-E. Sua simpatia e inocência (O que anda faltando no ser humano...) são contagiantes. O personagem nos ensina tanto, sem sequer dizer uma palavra. Seu romance com EVE é repleto de senso de cavalheirismo e boas maneiras.

O visual do filme é excepcional e acaba compensando pela ausência de diálogos. Precisamos prestar atenção nesse critério. O filme não possui muitos diálogos, pois muitos dos personagens são robôs, que por sua vez, não possuem uma comunicação verbal. Contudo, não é por isso que o roteiro é ruim. Ele de fato é simples, mas transmite na medida do necessário tudo que é essencial para a concisa apreciação do filme, por qualquer espectador que seja. Wall-E é indiscutivelmente um filme para todas as idades. Sua mensagem é extremamente sadia para as futuras gerações, e nos traz luz em observar como estamos cuidando de nosso planeta.

A ideia de Wall-E foi tida entre um almoço de executivos da Pixar em 1994. O diretor Andrew Stanton e os roteiristas John Lasseter, Peter Docter e Joe Ranft também tiveram, no mesmo almoço, ideias para outros filmes. Dentre eles estão: "Vida de Inseto", "Monstros S/A" e "Procurando Nemo".

A concepção original, como dita por Stanton seria: "... e se a humanidade tivesse que sair da Terra e alguém se esquecesse de desligar o último robô?". O roteiro original foi rejeitado por parecer apenas mais uma história de extraterrestres (EVE seria raptada por alienígenas e Wall-E teria que salvá-la). Depois de algum tempo em hiato, a produção retornaria em 2002 (Quando Stanton estava terminando de realizar "Procurando Nemo", começou a reescrever Wall-E).

Wall-E claramente realiza homenagens a Chaplin e Kubrick no decorrer de sua extensão. Diversas cenas são inspiradas nas obras desses cineastas (E de muitos outros).

Outra grande crítica do filme é feita em cima da sociedade hiper consumista da atualidade. A imersão na alienação social se tornou um enorme problema, que de tal modo, acaba apenas dando continuidade ao ciclo de conformidade e consumismo criada pela própria sociedade, que devido a sua inércia inconsciente, não consegue escapar dos estratagemas arquitetados por ela mesma. O ser humano necessita se rebelar contra as instituições que monopolizam sua maneira de pensar, e se tornar integrante de uma sociedade livre e intelectual que irá certificar o seu natural crescimento, liderada por virtudes e não vícios, como é atualmente.

Andrew Stanton verdadeiramente conseguiu realizar uma obra singular, que consegue consubstanciar duas realidades de maneira ímpar, nos transmitindo uma mensagem importante, casada com uma experiência cinematográfica cativante. Um filme brilhante em todos os sentidos!

NOTA: 9.5


Enterrado Vivo (2010)

Olá, meus caros.

Sexta-feira à noite, sem muito o que fazer, comecei a passar os canais na TV... Depois de algum tempo, eis que encontro um canal que estava para começar um filme que eu sequer tinha ouvido falar. Sou meio desiludido com filmes recentes, por isso não adentrei com grandes expectativas ao assistir "Enterrado Vivo", mas de qualquer modo resolvi dar uma chance a ele. 

Fiquei realmente impressionado com esse fabuloso exemplo de cinema minimalista. Um filme que nos transmite sentimentos claustrofóbicos e o verdadeiro desespero daqueles que são levados ao limite da sanidade e do instinto de sobrevivência. O filme todo se passa em um caixão, em que Paul Conroy (Ryan Reynolds), um motorista de caminhão trabalhando no Iraque acaba sendo enterrado depois de seu comboio ser atacado por "terroristas" (O filme até nos proporciona outra luz sobre essa palavra). No caixão, Paul precisará sobreviver com alguns objetos "úteis": celular, isqueiro e uma faquinha. Ele consegue se comunicar com outras pessoas através do celular, inclusive com o terrorista, que solicita uma quantia em direito para libertá-lo. 

Paul praticamente realiza ligações para todos os departamentos de segurança dos EUA e é perceptível a falta de interesse dos mesmos em ajudá-lo de alguma maneira concreta. Sem dúvida a burocracia é a segunda maior crítica do filme a sociedade contemporânea, em que reputações e papeladas são colocados acima da vida humana.

Não obstante, o diretor Rodrigo Cortés descreve de maneira fria os enclaves psicológicos de pessoas expostas ao extremo para sobreviver. Paul ter sido enterrado vivo (Não ter para onde se mexer) sem dúvida pode ser comparado aos próprios conflitos no Oriente Médio, onde o povo árabe acabou sendo submetido a pressões externas e sua sociedade desmantelada. Não estou do lado dos terroristas, mas uma conversa do filme realmente chamou minha atenção. Tentarei reproduzi-lá.

(Conversa pelo celular)

Paul: Por que você fez isso comigo? Eu não sou um soldado! Não tenho nada a ver com essa guerra em seu país!
"Terrorista": Eu também não tinha nada a ver com Bin Laden ou com Saddan Hussen, mas isso não impediu vocês de virem até meu país e destruí-lo...
Paul: Eu não sou um soldado!
"Terrorista": Você é americano?
Paul: Sim!
"Terrorista": Então você é um soldado...
Paul: Eu tenho dois filhos!
"Terrorista": Eu tinha cinco! Agora só tenho um!
...

O que você faria em um país destruído? Um país em que todas as pessoas que algum dia você conheceu, morreram, vítimas das atrocidades da guerra? Como você se sentiria se fosse hostilizado por um povo hostilizado por você mesmo? Ter pontos de vista diferentes realmente podem enobrecer e expandir o domínio sobre dado assunto. E Cortés conseguiu nos transmitir isso. Uma crítica construtiva sobre a brutalidade de ambas as partes. No fundo todos somos seres humanos. E quando o ser humano é colocado no limite de sua existência, percebemos o que ele realmente é capaz de fazer para sobreviver.

Ryan Reynolds nos proporciona uma das melhores atuações de sua carreira, sustentando muito bem toda a tensão inerente a uma produção desse gênero. Sendo o único ator que aparece em tela (todos os outros são apenas as vozes no celular), Reynolds cresce no decorrer da trama, demonstrando toda sua capacidade em uma atuação quase perfeita. Muitas cenas mostram dificuldades perceptíveis ao serem realizadas, e a última cena, nas palavras do próprio Ryan:"... foi uma experiência que não quero tornar a repetir.".

Rodrigo Cortés realizou uma excepcional filmagem em um espaço extremamente restrito. A maneira que ele filmou a primeira tomada fez meu intelecto virar algodão-doce. Cortés filmou uma obra de tensão claustrofóbica com críticas sociais, casada com uma sublime perícia com o câmera. Uma habilidade extremamente difícil de ser encontrada em um cineasta.

Concluo, recomendando "Enterrado Vivo" para aqueles que gostariam de se aprofundar nas mais diversas perspectivas sobre os conflitos do Oriente Médio ou os que queiram cada vez mais entender a natureza do homem.

NOTA: 8

O Grande Hotel Budapeste (2014)

Olá, meus caros.

Há tempos possuo o anseio de analisar essa verdadeira obra-prima do mestre Wes Anderson. Apesar de ser um diretor relativamente desconhecido, Wes possui um estilo sublime que mescla humor, visual e narrativa de uma maneira nunca antes explorada. Graças a ele já fomos agraciados com excepcionais filmes como "Rushmore (1998)", "Os Excêntricos Tenenbaums (2001)" e "O Fantástico Senhor Raposo (2009)".

Mas em minha opinião "O Grande Hotel Budapeste" é sem dúvida seu melhor trabalho. O esmero nos detalhes é simplesmente feérico. As atuações, o figurino, a fotografia... Tudo beira a perfeição.

Cachimbo!
O estilo narrativo é indescritivelmente um dos melhores já criados pela mente humana. Tudo flui de maneira enérgica e consistente, sem que haja perda na dinâmica por um segundo sequer. 

A estória é inspirada nas obras do escritor austríaco Stefan Zweig, que durante as décadas de 20 e 30, fora um dos mais populares escritores de todo o mundo. Por ironia, ele veio a falecer em terras brasileiras, mais precisamente na cidade de Petrópolis.

Em linhas bem diretas, o filme se inicia quando um famoso escritor (Jude Law) começa a narrar os acontecimentos da época em que estava com um bloqueio criativo. Através desse inoportuno evento ele decide se refugiar durante uma temporada em um hotel no interior de seu país, a República de Zubrowka. O hotel em questão, O Grande Budapeste, já fora um dos hotéis mais importantes de toda a Europa. Em sua proveitosa e relaxante estadia, ele acaba por conhecer o dono do hotel, Zero Moustafa (F. Murray Abraham) que acaba lhe contando como ele conseguiu se tornar o dono do Budapeste. A história contada por Zero se tornaria inspiração para a maior obra do escritor.

O elenco do filme é simplesmente idílico. Além dos dois astros já mencionados, vislumbramos belíssimas atuações de Bill Murray (Colaborador de Wes), Willem DaFoe, Adrien Brody, Ralph Fiennes, Tilda Swinton, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Tom Wilkinson, Owen Wilson e Edward Norton, além de sermos apresentados a Tony Revolori, em seu primeiro grande filme.

Ralph Fiennes (Centro), Tony Revolori (Direita) e Sei Lá (Esquerda)
Duende-Verde e aquele Pianista que ganhou Oscar. 
Harvey "Fucking A" Keitel
Acredite se quiser, mas apesar da quantidade de atores e do curto espaço de tempo que cada um aparece em cena, todos os personagens foram excepcionalmente bem elaborados. Os atores e atrizes incorporaram a atmosfera do filme e dão vida, na essência da palavra, aos seus respectivos personagens. 

Por se tratar de uma comédia podemos supostamente imaginar que o filme não dispensa certo tempo com temas mais sérios. Todavia, uma das histórias paralelas é o desenvolver do início de uma guerra. Wes Anderson, nos transmiti de maneira bem-humorada os enclaves das relações de poder em períodos de crise seja no âmbito familiar ou na sociedade a beira de um dito colapso.

A fotografia é, em suma, fantástica! O estilo visual favorece o desenvolvimento de diversos aspectos de intrínseca relevância para a trama, como por exemplo, a perspectiva lúdica-sombria de certos momentos. É claro que o talento do elenco também ajuda consideravelmente nesse critério.

Semelhança? Só que não!
Lá no fundo, no fundo mesmo, dá para ver o Wally.
A trilha sonora foi meticulosamente composta pelo francês Alexandre Desplat. Cada nota se enquadra perfeitamente no decorrer do filme. Apesar de estar faltando um pouco de zither, na minha opinião. (Alguém lembrou de "The Third Man"?)

A sensibilidade é um termo chave para descrever "O Grande Hotel Budapeste". É quase impossível de acreditar que atualmente possamos presenciar a criação de uma obra nesses moldes, que zela pelo apreço nos detalhes dos personagens e que saiba desenvolver um excelente roteiro. É uma verdadeira pena que não exista mais cineastas com a visão de Wes Anderson. 

Concluo ressaltando o magnífico brilho que este filme nos traz. Um clássico instantâneo, que nos faz rir do começo ao fim. Realmente um filme que merece ser apreciado.

NOTA: 9.5

Dedico esta análise a moça que me faz sorrir e acreditar na beleza do mundo a cada novo dia. Marina, eu te amo. Que ainda possamos assistir muitos filmes juntos!

Abismo do Medo (2005)

Olá, meus caros.

Fiquei extremamente surpreso ao assistir este filme! A princípio imaginei que seria apenas outro thriller mais ou menos. Qual não foi minha surpresa em descobrir que ele era muito, muito além de minhas expectativas. Este é sem dúvidas um dos melhores filmes de terror dos últimos 20 anos.

O enredo é consideravelmente diferente para um filme de terror. Um grupo de 6 amigas, amantes de esportes radicais, perde-se em uma caverna ainda não explorada. A caverna em questão esconde um grande segredo...

A estória realmente te prende do começo ao fim da narrativa. A julgar a duração do filme, os personagens são indescritivelmente bem desenvolvidos. A fotografia é maravilhosa, tendo como objeto central a espeleologia (Estudo e exploração das cavernas). O sentimento claustrofóbico é recorrente no filme inteiro, além de demonstrações frias de como o ser humano reagiria em situações de desespero. O caráter instintivo, inerente a qualquer animal, é soberbamente explorado na trama. Um ponto bastante importante, que abusa da originalidade e que consegue criar uma dimensão única na cadência das cenas. Muitas cenas são inesperadas, acreditem, sustos são garantidos .

Expressei um sonoro "P*** que P****" apenas em três cenas de três diferentes filmes. E um desses filmes foi "Abismo do Medo".

As atuações são maravilhosas, em especial da personagem principal. A única coisa que poderia ter sido mais elaborada é a trilha sonora. Ela é bastante genérica e não consegue impactar em um nível visceral. Atende bem nos momentos de ação, mas em certas partes senti falta de um refrão. Gostaria tanto de ficar com uma musiquinha macabra na mente depois que terminasse o filme...

Este filme é digno de uma trilha marcante, que realmente grudasse na mente. Uma música bem composta, com um refrão memorável, tem o potencial de elevar e muito qualquer filme que seja. Basta lembrar de Halloween (1978) ou Star Wars (1977). E Abismo do Medo merecia uma atenção maior nesse departamento. 

Já faz praticamente dez anos que "Abismo do Medo" foi lançado e me sinto triste por mais pessoas não conhecerem essa belíssima obra. Não obstante, em 2009 fomos agraciados com a sequência, que por sua vez, não é tão radiante quanto o original, mas sustenta-se de maneira ímpar.

Recomendo que vocês assistam este filme sem sequer ler qualquer análise mais profunda e até mesmo sem assistir o trailer. Acreditem, a surpresa será das boas!

NOTA: 8

Noite Infernal (1981)

                                                 


Olá, meus caros.
            
Você lembra daquele filme ruim? Aquele com péssimas atuações? Figurino e maquiagem ridículos? Roteiro nível "verme rastejante do lodo da ignorância"? Bom, se você nunca assistiu um filme assim, pode acrescentar "Noite Infernal" como o primeiro da lista. 

O plano de fundo para a criação de "Hell Night" talvez seja caracterizado por um dos movimentos mais famosos do cinema. Com o sucesso estrondoso de Halloween (1978), o primeiro dos slasher movies (Filmes em que um louco varrido sai matando todo mundo), diversas imitações começaram a serem criadas. A década de oitenta marcou o apogeu desse gênero. 
           
Mas sabe, meu amigo, depois da revolta inicial ao começar a assistir essa discrepância da mente humana, comecei a pensar no suposto objetivo de um filme dessa natureza. (Dessa vez não precisei ir nos longínquos templos da península de Kola, como fiz em "O Salário do Medo"). Irei mostrar que um filme, mesmo ruim, pode ser agradável. Mas antes, um insight da estória.




Através de inúmeros outros filmes, já conhecemos as famosas irmandades e fraternidades das universidades estadunidenses. E como não é novidade tais fraternidades realizam "trotes" com os calouros. O desafio do trote nesse filme: os novatos devem passar uma noite em uma mansão supostamente mau-assombrada. 


Bom, é isso... Bem desenvolvido, né? (kkk)              

O papel principal do filme fica a encargo de Linda Blair. Para quem não lembra, Linda Blair é a Reagan do filme "O Exorcista". É, meu caro, a menininha possuída. Ela também devia estar possuída quando aceitou fazer essa porcaria. (kkk) Continuando...



Acredite se quiser, mas o único filme verdadeiramente bom da Linda Blair foi "O Exorcista". O restante da carreira dela consistiu em filmes trash com muita, muita nudez.              

Em todo caso... Hell Night até pode ser um filme interessante se você não analisar nenhuma característica sobre ele... Tente apenas dar boas risadas. Acredite, o filme é tão ruim que certas cenas que deveriam ser sérias se tornam tão engraçadas quanto algum trecho de Wayne's World. 

O vilão do filme: um psicopata que vivia na mansão (Mais criatividade impossível!).

Eu sei, eu sei... Spoiler. Mas acredite, nesse filme não vai fazer nenhuma diferença. 

A maquiagem desse vilão deformado é horrível. Não o horrível bom de filme de terror (Aquele com conotação de tenebroso), mas o horrível ruim de filme de terror (Aquele com conotação de lixo tóxico). Nível Ed Wood! Cinéfilos vão me entender... (kkk). Tenho certeza que uma criança com um pote de massinha conseguiria fazer melhor... 





É, Linda Blair... Eu também compartilho da sua opinião...             

As cenas na mansão são extremamentes clichês. Já estamos acostumados com isso. Todavia, a julgar o orçamento desse filme, até que a mansão foi muito bem decorada. Consegue nos passar, mesmo que por alguns breves momentos, essa atmosfera fantasmagórica de filmes desse gênero.





A trilha sonora adequa-se bem a maioria do filme. Lembra muito os  já famosos Halloween e Black Christmas, mas sem o refrão chamativo

Descobri uma curiosidade sobre essa "pérola" do cinema. Um dos atores, como descrito no script, deveria cair de uma escada e fingir de tinha lesionado o calcanhar. Para dar um pouquinho mais de suspense, sabe? Fugir de um psicopata mancando é sempre mais divertido, né? Todavia, ele fraturou o calcanhar de verdade. Nas cenas que o vemos mancando, ele realmente está com o pé quebrado.              
As atuações são... "Oh, my God!" Realmente é melhor eu não comentar.              

Bom, meus caros, não há muito mais o que ser dito sobre "Filme Infernal"... Opa, desculpe, "Noite Infernal". (O que eu não daria para mudar o nome).              

Se você deseja se aprofundar no cinema trash de terror oitentista, esse é um filme obrigatório. Lembre que a partir do primeiro segundo do filme, você não deve levar ele muito a sério.  Bom filme! (Tem algo errado nessa frase...)  

Nota: 5

Vidocq (2001)

Olá, meus caros.
               
Inúmeros fatores (Estes, por sua vez, bastante peculiares) levaram-me a selecionar Vidocq como o próximo filme analisado. Creio que o mais relevante deles consiste na ausência de reviews margeando o gênero da ficção científica que tal filme pertence: o SteamPunk.
               
Antes de iniciar a análise do filme em si, irei explicar um pouco da história do Steampunk.
           
Por favor, situem-se neste contexto: Inglaterra; Revolução Industrial; Máquinas a Vapor. Tudo certo até aqui? Bom... Todos nós sabemos que as máquinas a vapor entraram em decadência à partir da invenção da eletricidade. No Steampunk é justamente o inverso. O vapor (Steam em inglês) é a base para toda a aparelhagem industrial e até o mais simplório dos itens domésticos. O quadro geral é este: tudo gira em torno do vapor. Contudo, existe um oceano de especificidades dentro desse gênero (Vidocq enquadra-se em um deles).

Na Era Vitoriana o apreço pela qualidade era absurdo. Tudo era produzido com o melhor dos materiais, desde as melhores madeiras (Muitas árvores derrubadas... Bem, tudo pelo "desenvolvimento", né?) para os móveis e ferramentas, até o exacerbado uso de ouro (Diga-se de passagem, ouro brasileiro) nas joias e instrumentos científicos. Abrindo o leque, podemos denotar que certas palavras, como cartolas, cachimbos, engrenagens e magia, nos auxiliam a imergir melhor nessa atmosfera steampunkniana. Anacronismos tecnológicos também são usuais.
             
Júlio Verne foi um dos precursores desse gênero. Vinte Mil Léguas Submarinas, publicado em 1870, e Volta ao Mundo em 80 Dias, publicado em 1873, são consideradas as primeiras obras Steampunk (Tal termo, contudo, só seria cunhado em 1987). Hugo Gernsback (Lembra do maior prêmio da ficção cientifica, o Hugo Award? Uma homenagem a tal escritor), H.G. Wells e H.P. Lovecraft, através da ficção especulativa característica de seus escritos, lapidaram melhor os preceitos do steampunk durante a primeira metade do século XX. Ressalto o quão híbrido esse gênero se tornou. Seja no horror, no Velho-Oeste ou com temáticas retro-futuristas, o steampunk ganhava espaço.
          
No cinema, somente na década de 90, cineastas começaram a realizar trabalhos consistentes em torno do conteúdo steampunk. É aqui que Vidocq entra em cena, meus caros.

Olhar em sua máscara era como perder a própria alma...
Maus agouros...
França. 1830. Um famigerado assassino mascarado, conhecido apenas como "O Alquimista", está raptando moças virgens para algum tipo de experimento macabro. O motivo? Ninguém sabe ao certo. 

A investigação deste caso estava nas mãos de Vidocq, o melhor detetive do mundo, e de seu parceiro Nimier. Por infortúnio, Vidocq é morto pelo Alquimista na primeira cena do filme. Com isso, fica a cargo de Étienne Boisset, o biógrafo de Vidocq, com o auxílio de Nimier, descobrir quem é o Alquimista e fazer justiça ao nome do grande detetive. 

Esse é o quadro geral da estória, que por sua vez, é apresentada nos primeiros 10 minutos do filme, todavia, à partir desse ponto, o clima de mistério, intrigas e a clássica investigação à la Sherlock Holmes, rege a cadência da trama. Constantemente, novas informações são trazidas a luz, que culminam em um desfecho (Fazendo jus ao gênero) fantástico.

Briga! Briga! Briga! Briga!

Como pode-se ver, o enredo é bastante imaginativo (Um ponto por isso...), todavia, ele é baseado na figura histórica de Eugène-François Vidocq, verdadeiramente o maior detetive do mundo. Nascido na vila de Arras, França, no ano de 1775, criminoso por natureza, Vidocq tornar-se-ia informante da polícia, e mais tarde, ele próprio, um oficial da polícia francesa. Mais tarde fundaria a primeira agência moderna de detetives, sendo ele próprio, o primeiro detetive particular do mundo. Conhecido como mestre da vigilância e do disfarce, foi inspiração para inúmeros escritores do ramo fantástico (Dentre eles Sir Arthur Conan Doyle para criar o já mencionado Sherlock Holmes). 

Modernizou a criminologia como nunca fora visto antes. Foi criador do cartão para as digitais, usado, à partir daqui, como ferramenta policial no mundo inteiro, foi o primeiro a usar balística no trabalho policial, o primeiro a oficialmente usar as pegadas na cena do crime como provas, foi criador (E até hoje sua família possui a patente de tais invenções) da tinta indelével e do papel sulfite inalterável... E, depois de aposentar-se, escreveu suas memórias, que por sua vez, tornou-se best-seller e o ajudou a definir sua própria notoriedade como a do maior detetive da história. 


O já imortal Gerard Depardieu, em seu 116º filme, dá vida a Vidocq em todo seu esplendor. Felizmente, tal filme foi filmado em francês, e como já sabemos, assistir Depardieu atuando em sua língua natal é um verdadeiro privilégio. É digno de salientar-se as cenas de luta (Acrescento: são muitas!), que por incrível que parece, foram excepcionalmente bem interpretadas por Depardieu.


Onde estão os bolinhos? 
(Acho que só os fãs vão entender essa)

Nimier, o parceiro de Vidocq, foi interpretado por Moussa Maaskri. Da mesma forma uma bela atuação. Distorção : uma palavra que define bem esse personagem. Alcoólatra, rabugento, fiel e inteligente. Contradições à flor da pele, não é mesmo? Nunca sabemos ao certo o quê Nimer está pensando, todavia, essa é a beleza do personagem.

Vidocq: Onde estão as bebidas da festa, Nimer?
Nimier: Je ne sais pas!

A dupla dinâmica francesa

Guillaume Canet interpreta Étienne Boisset, biógrafo de Vidocq que deseja acima de tudo encontrar o Alquimista e vingar a morte de seu ídolo.


Por fim, temos a espanhola Inés Sastre interpretando Préah, uma excepcional dançarina que acaba se envolvendo na trama. Os tons de sensualidade do filme ficam todos por conta dessa belíssima atriz.

Meu Deus. Dio Mio. Mon Dieu.

Vidocq foi o primeiro filme dirigido por Pitof, que por sua vez, é conhecido mundialmente por suas colaborações nos efeitos especiais de filmes como "Delicatessen" de 1991, "The City of Lost Children" de 1995 e o excepcional "Alien: Ressurection" de 1997, todos esses filmes, por sua vez, foram dirigidos por Jean-Pierre Jeunet, seu amigo de longa data. 

Pitof abriu mão de envolver-se no perfeito "Amélie" para dirigir Vidocq. Apesar do presente filme ser extraordinário, será que valeu a pena? É incrível quando paramos para pensar que o segundo filme dirigido por Pitof foi o infame "Catwoman" de 2004. É, meu caro, aquele mesmo com a Halle Berry... Muitos dizem que Pitof destruiu Hollywood depois dessa porcaria. Eu digo o contrário: Hollywood destruiu Pitof! 


Os grandes estúdios adoram importar diretores estrangeiros, já de certo renome, para a realização de suas mega-produções, contudo, eles tiram toda a liberdade de criação dos diretores e desenvolvem o que eles querem. Filmes assim, são dirigidos mais pelos megas produtores do que pelos coitados diretores. 


O passado de Pitof nos efeitos especiais é latente, isso é inquestionável, mas percebi que seu trabalho em relação a interação e com o elenco é consideravelmente fraco. É difícil sentir interesse em colocar sua marca, se é que ela existe, na atuação dos atores. Entretanto, graças ao talento do elenco de Vidocq isso não chega a ser um problema, mas está claro que Pitof prefere trabalhar com computadores do que com pessoas...

Found you!

Ao contrário do que George Lucas gostaria que você pensasse, foi Vidocq, e não "Star Wars: Ataque dos Clones" (2002), o primeiro filme teatral a ser filmado inteiramente digitalmente. Como Pitof era um artista de efeitos especiais, decidiu filma-lo dessa maneira, pois, a pós-produção necessitava uma carga massiva de manipulação digital. Considerando o orçamento do filme, tal estratégia funcionou com excelência. O filme possui 800 cenas modificadas digitalmente no decorrer de 8 meses, pelo custo de € 20 milhões. Posso destacar a atenção que foi dada no CGI da máscara do Alquimista, que foi sem dúvida inspirada na ideia do também francês Georges Franju em seu filme "The Eyes Without a Face". A protagonista desse célebre filme, Edith Scob, também usa uma máscara, e em Vidocq ela possui um irrisório, mas interessante papel. O filme como um todo, possui cores muito vívidas, favorecendo de tal forma, o vermelho, amarelo e verde (Opa! Alguém lembrou de Amélie?). Os cenários são uma mistura de realidade e truques digitais, geralmente eles parecem extremamente diferentes dos cenários hollywoodianos que estamos acostumados. Os efeitos especiais foram realizados pela equipe de Pascal Giroux ("The Messenger: The Story of Joan of Arc"). Um dos objetivos de Pascal foi fazer com que os CGIs ajudassem a contar a estória, e não que simplesmente se sobressaíssem esporadicamente não decorrer do filme. A França do século XIX, chega a nossos olhos de uma maneira que é ao mesmo tempo estranhamente surreal e bela.

A edição foi (Em partes...) uma das únicas críticas de Vidocq. Editado de maneira moderna, a cadência das cenas é extremamente rápida, com vários close-ups no rosto dos protagonistas. Muitos não gostaram desse estilo frenético de edição, pois, os cortes supostamente pareciam desnecessários (O que na minha opinião, não é o caso...), e as cenas se tornaram mais difíceis de serem assimiladas. Eu percebi que a edição enérgica fez com que as cenas transcorrecem mais facilmente entre o presente e o passado, uma vez que, o filme é contado com a ajuda de flashbacks, mantendo assim, um maior interesse dos espectadores. Vidocq foi comparado, por um crítico francês, ao filme Seven (Igualmente excepcional!). Espectadores que desfrutam muito da lógica talvez não se interessem por Vidocq. Quando eu relaciono a edição com os efeitos especiais e as escolhas das cores, fica claro, pelo menos para mim, que a intenção dos criadores foi fazer Vidocq assemelhar-se a um "quadro em movimento". Vidocq é uma nova aproximação ao lado visual da cinematografia, que, por infortúnio, atualmente não é usado com maior consistência.


Também desejo salientar a beleza dos cenários do filme, em especial o maravilhoso chão espirográfico presente em uma das cenas. As praças, campos abertos e palácios... Tudo é uma experiência visual arrebatadora!





Vidocq foi promovido como sendo um filme de terror, é possível que vocês o encontrem rotulado dessa maneira, contudo, ele é sem dúvida um thriller investigativo com elementos de fantasia (Tá... Um pouquinho de terror também!). No início dos anos 2000, a França começava a entrar nessa esfera de filmes: Terror com elementos de fantasia. Talvez o filme mais famoso dessa época seja "O Pacto dos Lobos".

Vidocq: É terror!  -  Nimier: Não é!
Vidocq: É terror!!!   -   Nimier: Não é!!!
Concluo, meus caros, recomendando veementemente Vidocq. Um marco no cinema de fantasia! Somente pela experiência visual já será recompensador. Obrigatório para os fãs de Depardieu.

"O objetivo não é a imortalidade, mas a perpetuação imortal da beleza! A Arte!" O Alquimista

NOTA: 8.5

Au revoir