Chappie (2015)

Olá, meus caros.

Chappie foi escrito e dirigido pelo sul-africano Neill Blomkamp, que já nos agraciou com o magnífico Distrito 9 e o razoável Elysium

Em "Chappie", temos um pouco mais da receitinha de bolo de Blomkamp: pobreza na África do Sul, corrupção e muita pancadaria. Sabe, pra quem já assistiu os filmes anteriores dele, essa receita já tá enjoando. Blomkamp, acho que eu falo por todos que gostam de cinema, então lá vai: Já entendemos! A África do Sul tem problemas! Agora muda um pouquinho, por favor.

História: Em um futuro próximo, o crime nas ruas é patrulhado por robôs. Quando é dado a um desses robôs um novo programa, ele se torna o primeiro a conseguir pensar e sentir por vontade própria.

Temos no elenco o indiano Dev Pattel, Hugh Jackman, Sigourney Weaver e é claro Sharlto Copley, amigo de infância do diretor. Curiosidade do elenco: no filme temos dois personagens chamados Ninja e Yo-Landi. Ninja é interpretado pelo rapper Ninja e Yo-Landi é interpretada por sua esposa e também rapper Yolandi. Ambos são integrantes do banda de de zet rap-rave Die Antwoord, que por sua vez, tem uns video clipes mais bizarros que os do Marylin Manson.

O filme não é ruim. É razoável assim como Elysium. Temos boas atuações, fotografia e efeitos especiais. A história peca bastante pela mesmice, mas dá pra encarar. São levantadas questões morais sobre inteligência artificial, pobreza e corrupção. É um filme de ação com embasamento político, acho que é a melhor maneira de descrever. Todavia, a superficialidade da trama não permite muita empatia com a situação.

NOTA: 6

Caça às Bruxas (2011)

Olá, meus caros.

Esse tal de Nicolas Cage realmente consegue me surpreender toda hora. O cara simplesmente virou uma máquina de fazer filmes. Nos últimos 5 anos ele atuou em nada menos que 15 filmes! E já possuí 5 filmes em pós-produção para 2016! Infelizmente, só agora estou tendo tempo de assistir essa última leva. À princípio pensei que fossem só umas porcarias genéricas, mas me enganei. Muitos desses últimos filmes realizados por Cage são ótimos, e "Caça ás Bruxas" se inclui nesse pacote.

História: Cavaleiros do século XIV enveredam em uma jornada para transportar uma jovem suspeita de bruxaria à um mosteiro, onde monges deduzem que ela seja a fonte de uma praga que assola a região.

Cage interpreta um dos cavaleiros e Ron Perlman (Hellboy) o outro. Ambos fizeram um excepcional trabalho. Cage é um ótimo ator, por infortúnio ele é mal compreendido pelas audiências. Entendam: ele consegue atuar bem, só que em alguns filmes ele tenta usar um estilo de atuação mais sarcástico. Ele mesmo disse isso, certa vez. Ou seja, a "ruindade" dele é proposital. O porquê dele fazer isso, ainda é um mistério. Eu não reclamo tanto, sabe? Eu já sei que ele é assim, então eu já começo a assistir um filme dele preparado para qualquer coisa, seja uma belíssima atuação (Como, "Senhor das Armas" ou "Despedida em Las Vegas") ou uma atuação exagerada e sem sentido (Como, "O Sacrifício" ou "Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança"). Bom, pelo menos eu dou risada das atuações esdrúxulas dele... kkk

Mas, isso não foi o caso aqui. Cage, assim como todo o elenco fizeram um ótimo trabalho. Os personagens são bem lapidados, o roteiro é simples mas funciona, a trilha-sonora é muito boa, e é claro, o aspecto principal na minha opinião, a ambientação. Eu simplesmente me senti em um jogo de RPG, com diversas lutas de espada, florestas macabras, cidades medievais, um grupo de guerreiros cada um com sua habilidade específica... Demais, demais mesmo! Quem curte medievalismo pode assistir sem medo, não vai mudar sua vida, mas vai te distrair e alegrar bastante. Quem dera eu tivesse assistido esse filme com uns 14 anos.

Recomendo, "Caça às Bruxas" para todos, em especial jovens medievalistas e amantes de RPG.

NOTA: 7.5

Terremoto: A Falha de San Andreas (2015)

Olá, meus caros.

Poxa, eu gostei! Gostei muito! Um filmaço de ação, com ótimos efeitos especiais. 

A história é simples, na verdade ela apenas te ambienta na trama, te dá um contexto para os eventos que irão seguir, só isso. Uma série de gigantescos abalos sísmicos assolam toda a costa oeste dos EUA, em especial Los Angeles e São Francisco. Em meio a essa tragédia, um piloto de resgate, interpretado por Dwayne "The Rock" Jonhson, realizará de tudo para salvar sua família.

Filmes desse gênero são conhecidos como disaster movies, ou seja filmes de desastre. Eles eram muito populares na década de 70. Filmes como "Inferno na Torre", "Aeroporto", "O Destino de Poseidon" e é claro "Terremoto" fazem parte desse categoria. "Terremoto: A Falha de San Andreas" é praticamente um remake de "Terremoto". Um remake bem feito, aliás.

Uma das coisas interessantes do filme é se colocar no papel dos personagens... O que você faria caso um desastre natural de proporções faraônicas atingisse sua cidade, seu bairro, sua casa? Eu me senti um pouco aflito em certos momentos. A grandeza do poder da natureza é simplesmente incomparável, por mais forte que você seja, você nunca será mais poderoso que a natureza.

Recentemente, tivemos o desastre de Mariana no Brasil. Todavia, tal desastre ocorreu devido a incompetência humana. pois, duas barragens do rio se romperam. Sem mencionar o despejo de material tóxico pelas industrias no rio, fato esse que contaminou toda a fauna e vegetação ribeirinha. O motivo do rompimento das barragens? Provavelmente construíram ela com chiclete e durepoxi. É claro que pagamos com nossos impostos por diamantes e ouro, contudo, nossos ótimos políticos em parceria com as construtoras mais corruptas do mundo, superfaturaram a obra e embolsaram a diferença para eles.

Eu fico impressionado com o Brasil... É um país que não possui um desastre natural sequer, o máximo são enchentes de rios, que poderiam ser facilmente resolvidos com uma infraestrutura razoável (Algo certamente possível de se realizar dentro da nossa carga tributária), ainda assim não conseguimos ir para a frente. O Japão possui terremotos, tsunamis, godzillas... Os EUA possuem tornados, tsunamis (Nova Orleans) e terremotos e ainda assim nos superam em inumeráveis aspectos. Sem mencionar o poder de reerguimento que esses povos possuem. Em questão de meses, as coisas mais essenciais já voltam a funcionar. Infelizmente, meu país é uma vergonha!

Bom, voltando ao filme... Vale a pena pra se distrair, é um ótimo filme de ação.

NOTA: 7.5

A Colina Escarlate (2015)

Olá, meus caros.

Minhas expectativas para esse filme eram colossais. O trailer me chamou muito a atenção. Eu percebi que era uma cópia cuspida de "Suspiria" e "A Profecia", mas mesmo assim eu decidi arriscar. Eu adoro o Del Toro, bom, pelo menos eu adorava... 

"A Colina Escarlate" foi totalmente decepcionante. Uma historinha pra lá de clichê, mal construída, com diversos furos e alguns momentos indigestos. O trailer é completamente mentiroso e te leva a acreditar que o filme girará em torno de espíritos e sustos pra lá de arrepiantes. Que nada, é apenas um romance confuso, estilizado e muito exagerado.

O visual do filme é belíssimo, esse é um ponto que não posso subtrair dele. A essência do gothic horror está presente, pelo menos na estética da obra. Infelizmente, Del Toro preparou um lanche lindo, mas com gosto de bosta de búfalo...

Del Toro é um belo diretor, mas não é mais um bom roteirista. Ele devia fazer  o que ele sabe e não querer dar um passo maior que a perna. Bom, talvez o ego dele seja tão grande quanto a barriga.

NOTA: 4

Terror nos Bastidores (2015)

Olá, meus caros.

"E se você fosse teletransportado para dentro de um filme de terror dos anos 80"

A frase acima é a premissa base para essa divertida paródia do terror slasher oitentista. É simples assim, um grupo de jovens acaba entrando dentro do filme em uma daquelas maratonas de cinema, onde são exibidos todos os filmes da série.

Eu gosto de escrever bastante, sabe, fazer uma análise pormenorizada dos filmes, contudo, nesse caso não há muito o que escrever... O filme é simples. Não é ruim, nem uma obra-prima, é simples.

É uma paródia razoável que tinha muito potencial, mas não souberam aproveitar ele totalmente, nisso, o filme ficou bem mediano, é possível que só agrade os fãs de terror mesmo. Ele é bem bonachão, com roteiro simples e sem muita violência gráfica.

É divertido ver como os personagens que entraram no filme reagem ao assassino (Que é uma cópia picareta do eterno Jason Vorhees). Eles sabem as regrinhas dos filmes de terror e usam isso a seu favor. Regrinhas do tipo, nunca saia sozinho pro meio da floresta, nunca fume maconha e principalmente nunca faça sexo! Em filme de terror já sabe, fez sexgu, morreu! 

Como vocês podem ver no poster do filme o nome original dele era "Final Girls". Não sei por que motivo a distribuidora nacional responsável pelo filme alterou (Não dá pra chamar de tradução!) para "Terror nos Bastidores". Porra, não tem merda nenhuma haver com bastidores, será que eles pelo menos assistiram o filme pra escolher o nome?? 

Final girl (Garota Final) é um termo usado no terror para descrever aquela última menina que foge do vilão e consequentemente acaba """matando""" ele (Com muitas aspas mesmo, porque no terror o vilão nunca morre. Né, Freddy?) .

Recomendo, "Terror nos Bastidores" só pra quem é fã de terror e não tenha nada melhor pra assistir. É interessante assistir para fins didáticos.

E você, o que faria se fosse teletransportado para um filme de terror?

NOTA: 6

Deathgasm (2015)

Olá, meus caros.

"Nova Zelândia, demônios sanguinolentos e Black Metal!!!"

A Nova Zelândia é constantemente lembrada como um lugar exuberante, riquíssima em belezas naturais, além é claro de sempre listar entre os três melhores países no quesito qualidade de vida. Para aqueles que ficaram presos em uma cápsula do tempo nos últimos 15 anos e ainda não sabem, a Nova Zelândia foi o lugar escolhido para as filmagens da icônica trilogia de "O Senhor dos Anéis" (E a porcaria da trilogia  do "Hobbit" também). 

"Deathgasm" é um filme B neozelandês com ares saudosistas que simplesmente me arrebatou da cadeira. Uma grandiosa homenagem aos clássicos thrash gore de terror, como "Fome Animal" e "Evil Dead" tudo recheado com toques do melhor Heavy Metal!

The Power Handshake
História: Tudo se passa na fictícia cidade de Greypoint, onde Brodie, (Milo Cawthorne) um jovem recluso e amante do heavy metal, acaba se tornando órfão e passa a morar com um tio extremamente religioso. Sempre era atormentado em casa por seu tio que tentava converte-lo, assim como era bulinado na escola por seu primo valentão. Contudo, tudo muda quando Brodie encontra Zakk (James Blake), um roqueiro rebelde. Como Brodie tocava guitarra e Zakk o baixo, ambos com a ajuda de outros dois jovens, Dion e Giles, resolvem formar uma banda de metal. Numa determinada noite, Brodie e Zakk invadem a casa de uma certa pessoa, que se revela ser um ícone dos garotos, Rikki Daggers, um famoso roqueiro aposentado (E levemente atormentado...). Daggers entrega a Brodie um disco de vinil. Dentro da caixa do disco havia uma estranha partitura. Bom, não era qualquer partitura, vocês já devem imaginar... Quando a música foi tocada pelos jovens, forças demoníacas se libertaram e transformaram a maioria dos habitantes da pequena cidade em demônios sedentos por morte e destruição. Tais demônios estão apenas preparando terreno para a chegada da divindade suprema, um demônio chamado "O Cego", que diz a profecia virá a terra na Lua de Sangue para conquistar o planeta. Percebendo a cagada majestosa que fizeram, Brodie, Zakk, Dion, Giles e a charmosa Medina (Interesse romântico de Brodie) precisam unir forças para salvar todo o planeta.

É... Bem... Então... Deixa quieto...
Existem mais algumas histórias paralelas no decorrer do trama. Fiz apenas uma sinopse da história principal. O filme apesar da temática de terror, é uma verdadeira paródia de alguns aspectos da sociedade, e nem o próprio heavy metal escapou dessa brincadeira. Todas as situações são extremamente inteligentes e bem construídas. Souberam adotar o constrangimento como forma de humor, elemento esse dificílimo de ser trabalhado. Eu dei muita risada, muita mesmo. Amantes do glorioso metal irão se identificar com "Deathgasm", onde o próprio nome já é uma paródia. Deixa eu explicar... Recentemente, bandas de metal mais pesado, como grindcore e deathcrush tendem a adotar nomes extremamente violentos para nomear suas bandas. Coisas do tipo "Morte Anal", "Intestino de Porcos", "Vagina das Virgens" e "Pênis de Satã"... Na esmagadora maioria dos casos em inglês, é claro. "Deathgasm" seria algo como "orgasmo da morte". É a juventude, fazer o que né? Bom, desde que não mate, nem roube, nem estupre, tá valendo. O importante é se expressar, criar e inovar.

Não fale mal do Ozzy perto desse cara... Fica a dica.
Mencionei o sangue? Litros, galões e piscinas de sangue? Sangue escorrendo, sangue esguichando, sangue voando? Sim, o filme tem sangue, muito mesmo... Bom, não é sangue de verdade, é uma mistura de xarope de groselha com mel, mas vocês entenderam (kkk). Bom, já deu para perceber que a violência gráfica do filme é absurda, ou seja, não é uma obra recomendada para audiências mais sensíveis.

Ainda preciso mencionar que vale a pena assistir? O filme é curto, dinâmico e o heavy metal deu um toque bem original ao contexto. Os personagens são muito bem lapidados e por incrível que pareça os atores fizeram um ótimo trabalho nas suas respectivas atuações. O roteiro ainda quebra constantemente a quarta barreira, sempre hilário. E a trilha sonora? Putz, véi... Sei nem o que falar. Só posso dizer que é Fucking Heavy Metal Awesomeness!!!

Assistam!

NOTA: 8

No Limite do Amanhã (2014)

Olá, meus caros.

O ano de 2014 realmente foi recheado de excelentes filmes... No drama tivemos "Birdman", na comédia "Grande Hotel Budapeste", no thriller o belíssimo "O Abutre". E é claro no gênero de ação/sci-fi nos deliciamos com "No Limite do Amanhã". O transudo do Tom Cruise mais uma vez arrebentou a boca-do-balão (Ou melhor dizendo, dos aliens).

E o que seria "No Limite do Amanhã"? Bem, nas palavras dos próprios produtores seria algo como: "Feitiço do Tempo encontrando Tropas Estelares". O filme é ótimo! Superou muitas de minhas expectativas.

Dá pra ficar mais épico que isso? Hmm... Pra dizer a verdade sim...
É só colocar o Kratos lutando com o Goku ao fundo...
História: Em um futuro nem tão distante, nosso jeitoso planeta acaba sendo invadido por uma horda sanguinolenta de aliens. Imediatamente, uma guerra por nossa sobrevivência se inicia. Tais invasores, relativamente mais desenvolvidos do que nós, são apelidados de "Miméticos". Um despreparado major chamado Cage (Tom Cruise), que até então era apenas o porta-voz e marqueteiro oficial da guerra (Responsável por desenvolver propagandas para atrair pessoas para o alistamento), acaba sendo enviado para as linhas de frente da próxima batalha, que por sua vez, possuí ares de missão suicida. No decorrer da batalha, Cage se encontra em uma situação onde sua morte é iminente. Com um "último" ato de coragem Cage usa uma mina terrestre para matar um Mimético. O sangue da criatura se espalha pelo corpo de Cage que imediatamente se desintegra. Inexplicavelmente, Cage acorda 30 horas antes do ataque e pensando se tratar de um deja vú repete todos os seus passos até ser morto novamente (Não da mesma maneira) na batalha. Cage acorda novamente  30 horas antes da batalha... Vocês já entenderam, né? Cage simplesmente entra em um loop temporal, que por sua vez, se reinicia sempre que ele morre. Com a ajuda da guerreira veterana Rita Vrataski (Emily Blunt), Cage passará por um extensivo e torturante treino, para conseguir usar sua nova habilidade a favor da humanidade e dar um fim definitivo a essa infausta invasão.

Que fogo no rabo!
Tom Cruise está ótimo como sempre! Não adianta negar ou fazer birra... A maioria dos filmes de Cruise são excepcionais! (Perceba que escrevi "maioria". Eu tenho bom-senso, relaxa).

Cruise sabe escolher muito bem seus projetos (Né, Nicolas Cage?), que geralmente são originais, dinâmicos e até engraçados.

Algo interessante de se ressaltar é o fato de Cruise, seguindo os passos do mestre Jackie Chan, realizar a maioria de seus stunts (Cenas perigosas onde se deveria usar dublês).

Emily Blunt também está ótima como a matadora Rita Vatraski. Sempre achei ela uma atriz secundária boa, mas nesse filme (O seu primeiro filme de ação, aliás) ela atuou soberbamente. Rita não é só mais uma sidekick sem graça... A personagem dela é extremamente bem lapidada.

A trilha-sonora é um dos pontos altos do filme. Se encaixa perfeitamente em todas as cenas. Os efeitos-especiais são de primeira e não deixam nada a deixar. Pode-se imaginar por um momento que o filme é chato e repetitivo por tratar a respeito de loops temporais, onde a mesma cena seria repetida diversas vezes. Mas isso não poderia estar mais errado. O filme é incrivelmente dinâmico e original. Assisti duas vezes, e nas duas ocasiões não percebi o tempo passar. Souberam trabalhar muito bem com a cadência das sequências, sempre mostrando uma morte diferente da anterior.

O trailer passa uma imagem muito séria do filme. Na realidade, ele possui inúmeras situações cômicas. Podem apostar em diversas risadas.

O filme em si possui poucos problemas, um deles é a estrutura narrativa que por vezes não faz muito sentido. Um ponto em aberto aqui, personagem sem noção ali... Coisas desse tipo. Mas pra dizer a verdade só percebi esses detalhes na segunda vez que assisti ao filme. Existe um outro defeitinho que me incomodou bastante: o visual dos aliens. Poxa, fala sério parece um monte de fio emaranhado. Cadê a criatividade desse povo?? Será que nunca mais seremos agraciados com aliens no incrível padrão dos Predadores ou dos Xenomorfos? Tô começando a acreditar que não...

Agora a parte divertida! Quando eu terminei de assistir ao filme, já fui fazer aquela pesquisinha básica sobre aspectos técnicos e afins. Nesse trajeto descobri que o filme é baseado no mangá "All You Need Is Kill" do japonês Hiroshi Sakurazaka. Fiz questão de comprar e ler o mangá para poder fazer um análise mais pormenorizada.

Minhas conclusões são as seguintes:

Até a metade do filme os elementos narrativos são relativamente fieis ao mangá, contudo da metade até o final é totalmente diferente. Ou seja, os finais das obras seguem linhas díspares.

Achei a história do mangá melhor que a do filme. Ela é um pouco mais humana e emotiva. O filme, por sua vez, segue aquela linha hollywoodiana de mocinho super-herói.

No mangá o protagonista não era um major,
e sim um simples soldado
Explicam um pouco melhor no mangá as características do loop temporal. Usam termos razoavelmente mais técnicos, sabe? Falam da influência da habilidade no cérebro do portador e quais suas consequências negativas. No filme, tudo se resumi ao sangue e pronto (Abrindo mais algumas lacunas). Será que Hollywood acha que as audiências de seus filmes são meio burrinhas? Ou eles simplificam tudo para atrair uma maior parcela da população? O que explicaria o fato deles suprimirem de muitos filmes termos científicos, comprometendo de tal maneira a qualidade da obra?

Não me entendam mal... O filme é ótimo, mas o mangá é sensivelmente melhor. Talvez se os roteiristas tivessem adaptado com maior fidelidade alguns aspectos do mangá para o filme, eles estivessem em pé de igualdade.

Apesar do filme não mencionar nada, no mangá explica o por quê de Rita usar um machado ao invés de uma arma. É simples: a arma acaba a munição e o machado (Facão no filme) não sofre dessa penalidade. A personagem de Rita é muito mais desenvolvida no mangá, sem dúvidas nenhuma.

Armadura totalmente inspirada em Halo
Sem mencionar as belíssimas ilustrações de Yoshitoshi Abe, o melhor desenhista do famoso "Death Note". Podem comprovar o que digo pelas ilustrações do mangá. Para os que ainda creem que gibi/mangá são coisas de crianças, já está mais do que na hora de quebrar com esse tabu. Basta observar com um olhar técnico/artístico. Será que não exige talento realizar centenas ou até milhares de desenhos mescla-los com uma boa história e colocá-los em um livro para o mundo inteiro apreciar?

Sim, eu acredito que seja arte. Assim como pintura, literatura ou até video-game. O poder criativo envolvido na criação desses itens é idêntico. Precisamos apenas saber utilizar toda a informação que nos é disponibilizada nos tempos atuais. Saber dividir nosso tempo para não nos tornarmos dependentes ou influenciados por tais trabalhos. É óbvio que existem crianças, adolescentes e até adultos que não sabem aproveitar de maneira coerente tais coisas. São pessoas que fazem birra e entram em discussões para defender esse ou aquele mangá/desenho/video-game/filme, sem saber respeitar o ponto de vista do próximo. Alguns de vocês podem estar pensando: "Ah, é melhor só ler, então!", "Nada supera leitura para o aprendizado!". Eu reconheço que leitura seja algo ótimo, contudo, eu conheço um monte de pessoas que leem pra caramba e são burras. Simples assim. Ler não é garantia de nada. Você pode só assistir filmes ou só ler gibis, desde que feito de uma maneira sadia não a nada que se preocupar.

Cada um tem o direito de escolher o que deseja fazer da vida... O que vai ler, assistir ou fazer. Mas não podemos subestimar outros tipos de mídias por não considerarmos algo "sério". O que não se pode é desrespeitar os outros e se for pra discutir que seja com argumentos.

Agora a minha maior surpresa... Lembra que eu falei que os aliens do filme eram horríveis? Bom, olha essa imagem aí do lado... Esses são aliens do mangá. Lixo tóxico, nada mais, nada menos! Se os designs de criaturas do filme tinham a competência criativa de uma marmota, o criador do alien original deve de fato ser uma marmota.

Poxa, o que é isso? Uma bola de basquete com dentes? Será mesmo que não era possível criar nada melhor?

Não é esse aspecto que vai destruir o mangá. Ele continua sendo excelente, contudo, é muito, mas muito desapontante ver uma obra tão bela  ser diminuída por um detalhe desses.

Bom, concluindo, meus caros. "No Limite do Amanhã" é um filme excepcional! Ação dinâmica e muitas vezes engraçada. Não me arrependo de o ter assistido. O mangá é melhor, eu admito. Quem tiver a oportunidade de ler, não a perca.

NOTA: 9