Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) - 2014

 Olá, meus caros.

História: Um decadente ator, que em certo momento interpretou um icônico super-herói, trava uma batalha com seu ego em uma tentativa de recuperar sua família e sua sanidade, ao mesmo tempo que tenta restabelecer sua carreira através de uma peça de teatro.

O diretor mexicano Alejandro González Iñarritu realmente me surpreendeu com este belíssimo filme. Uma trama elaborada recheada de excelentes atuações. Nunca pensei que Michael Keaton pudesse ser um ator tão habilidoso. (Sempre gostei dele! É o meu Batman favorito. Mas ainda assim fiquei surpreso).

Uma história original que retrata os enclaves do mundo do teatro, assim como os extremos da futilidade, dedicação e obsessão. Uma personagem que me chamou muito a atenção foi a filha do protagonista, Riggan Thompson (Keaton), interpretada por Emma Stone. Seu papel foi o de uma menininha mimada, que mesmo sendo uma drogada, quer dar lição de vida nos outros. Sua definição de poder é se tornar viral na internet. Uma bela crítica para a geração imediatista e fútil da atualidade.

Filmado com tomadas longas, muitas delas levando até 15 minutos, nos sentimos em um teatro. Se esse era o objetivo de Iñarritu, ele com certeza conseguiu. O cameraman é um mestre! Birdman possui muitas cenas cômicas, humor inteligente garantido.

Uma obra-prima! Um clássico moderno! Impecável!

NOTA: 9.5

O Destino de Júpiter (2015)

 Olá, meus caros.

Depois do mediano "A Viagem" de 2012, os Wachowski tornam a criar um universo visualmente incrível, mas que possui sérios problemas com enredo e roteiro. 

Lana (Larry antes da mudança de sexo) & Andy Wachowski são as mentes criadoras por trás de Matrix. Mas estou começando a achar que eles nunca vão sequer chegar perto de superar sua maior obra.

História: Três irmãos de uma dinastia intergalática estão em pé de guerra pelo domínio do planeta Terra. Júpiter (Mila Kunis) é a reencarnação da herdeira de nosso planeta. Um dos irmãos contrata Caine West (Channig Tatum), um experiente mercenário para salvar Júpiter. O destino de Júpiter e do planeta Terra está nas mãos deles.

No meio do caminho esbarramos nos elementos que hollywood adora: atores glamourosos demais e um herói que consegue matar a galáxia inteira sozinho.

"O Destino de Júpiter" é lindo, é verdade. Um space-opera vislumbrante. Contudo, a beleza visual não compensa pelo maremoto de clichês presentes na obra. Eu tive uma postura otimista até a metade do filme, sempre falando para mim mesmo: "Vai melhorar...", "Tá quase lá...". Mas meus anseios não se concretizaram. Qualquer criança de 5 anos tem capacidade para surgir com um final como o desse filme.

Personagens ilógicos, cenas desnecessárias, heroísmo exagerado e um romance meia-tigela. Algumas das inúmeras falhas de "O Destino de Júpiter". Sem mencionar o final totalmente previsível. Se fosse qualquer outro diretor eu perdoaria, mas sendo uma obra dos Wachowski fica difícil. Cadê o roteiro? Cadê a profundidade dos personagens? Nada, só uma trama meia-boca.

Channig Tatum é um licomutante meio-albino, se é que isso faz sentido...
O Voldemort do espaço. O cara tem preguiça de falar! 
Não preciso mencionar que esse filme tinha potencial. Muito, muito mesmo! O universo de personagens que ilustra a trama é imenso. Com um pouco mais de trabalho "O Destino de Júpiter" poderia ter se tornado outra grande trilogia. Pelo contrário, eles preferiram usar todas as cartadas nesse filme, e ficou por isso. Nada mais merecido do que o fracasso comercial de "O Destino de Júpiter". Ele custou 176 milhões de dólares e arrecadou apenas 50 milhões até o momento. O filme do Bob Esponja está fazendo mais sucesso!

Tinarossaurus Rex é você? E aí, Jurassic Park 4 está ficando bom?
Olha o tamanho da orelha!
Eu ainda recomendo "O Destino de Júpiter", afinal ele tem alguns pontos positivos. Só espero que essa análise prepare as pessoas para o que elas irão enfrentar para que dessa maneira possam aproveitar um pouco mais o filme. Focar-se apenas na experiência visual será mais gratificante.

NOTA: 6.5

O Jogo da Imitação (2014)

Olá, meus caros.

Uma brilhante biografia sobre Alan Turing, o homem responsável por decifrar o código "indecifrável" do Enigma.

Para os que não estão familiarizados com a história da Segunda Guerra Mundial, apresento um pequeno resumo do principal panorama descrito no filme. Os nazistas utilizavam uma máquina eletro-mecânica chamada Enigma para enviar suas mensagens mais importantes, geralmente aquelas relacionadas as medidas ofensivas das tropas alemãs e futuras estratégias. Os princípios básicos do Enigma margeiam o de um telégrafo sem fio, ou seja, envio de mensagens através de ondas eletrônicas. A diferença consiste no fato do Enigma enviar mensagens criptografadas. Sem a palavra-chave é virtualmente impossível de decifrar a mensagem.

Máquina Enigma
Para tentar decifrar o código, a inteligência britânica recrutou alguns jovens matemáticos, dentre eles Alan Turing, um recluso gênio fascinado por códigos e criptografia. Turing foi o primeiro o desenvolver as bombas mecânicas, que auxiliaram definitivamente a combater o Enigma em um tempo muito mais rápido.
Alan Turing em 1951
Bom, agora sobre o filme em si... No fundo tenho apenas uma queixa.

O filme deu muito espaço para Turing, como se ele tivesse feito tudo sozinho! Realizei uma pequisa depois de assistir o filme e cheguei a conclusão que ele teve ajuda. E muita! Inclusive de pesquisadores poloneses, que por sua vez, já tinham conseguido algum sucesso nas tentativas de decifrar o Enigma.


Deixando essa pequena imprecisão histórica de lado, ressalto que "O Jogo da Imitação" é um filme fabuloso. Um elenco perfeito, que soube imergir na atmosfera do filme e nos presentear com performances que realmente convencem. Benedict Cumberbatch, que interpreta Turing, é de fato um dos melhores atores da atualidade e sua atuação merece um Oscar. Todo o restante do elenco soube manter suas atuações ao nível de qualidade do filme. Destaco a atuação da magérrima Keira Knightley, o único papel feminino do filme.

"O Jogo do Imitação" é o primeiro filme em inglês do diretor noruêgues Mortem Tyldum, assim como foi o primeiro roteiro do escritor Graham Moore. Belíssimas estreias para ambos.

A trilha-sonora é simplesmente maravilhosa. Foi composta por Alexandre Desplat, por quem ando tendo especial atenção desde "O Grande Hotel Budapeste". Seu trabalho me afeiçoa bastante.

O filme possui uma ótima fotografia, que unida com modestos efeitos-especiais e gravações históricas reais, caracteriza uma visão bastante convincente da Inglaterra da década de 40. Uma trama bem elaborada, com apelação romântica, rivalidades, intrigas e até alguns bombardeios aéreos.

O filme só peca um pouco pelo fato de ser muito parecido com "Uma Mente Brilhante" de 2001. (Será que é por isso o filme se chama "O Jogo da Imitação"?? kkk). As frustrações e desejos dos personagens são semelhantes. Ambos passam por problemas pessoais e ambos querem ser lembrados por algo importante. Todavia, o tratamento que os filmes tiveram em outros aspectos foi relativamente diferente.


O nome do filme não está diretamente relacionado com a história do Enigma. O Jogo da Imitação na realidade foi uma estudo elaborado por Turing para descobrir quem é o humano e quem é a máquina digital (Ainda não existia computador) através de certas perguntas. Uma máquina não tem sentimentos, mas ela consegue imitar um ser humano até certo ponto. Se a pessoa responsável por fazer as perguntas não descobrir quem é a máquina e quem é o humano até o fim do jogo, a máquina ganha.

Alan Turing era homossexual e precisou conviver com esse segredo por quase toda a sua vida, pois, na Inglaterra, até a década de 50, era ilegal ser gay. Quando as pessoas eram descobertas como tal, o governo as submetiam a um tratamento hormonal de castração natural. É óbvio que a crítica a algo tão desumano é bastante explícita no filme.

Graças aos esforços de Turing em decifrar o Enigma, milhões de vidas foram salvas, encurtando a guerra em até 2 anos. Não obstante, sua postura visionária sobre as pesquisas de máquinas digitais foi responsável pelo começo do desenvolvimento dos computadores. Turing, independente de qualquer coisa, deve ser lembrado como um grandioso ser humano que contribuiu de maneira quase inigualável para o desenvolvimento da humanidade.

NOTA: 9

Whiplash - Em Busca da Perfeição (2014)

Olá. meus caros.

Todos nós temos sonhos. Seja ser professor, advogado, nadador, viajar o mundo ou se tornar um músico famoso. Tentamos fazer de tudo para conquistar esses sonhos no decorrer de nossa vida. O sonho de Andrew Neyman (Miles Teller), um jovem de 19 anos, é ser lembrado como um grande baterista. 

Andrew estuda no Conservatório Shaffer, o melhor de Nova Iorque. Ele é talentoso e mostra muito potencial. Um dos professores da escola, Terrence Fletcher (J.K. Simmons), o convoca para sua banda, que por sua vez, possui um nível de habilidade muito mais elevado do que aquele que Andrew tocava.

Fletcher possui uma didática de ensino bastante peculiar. Através de abusos verbais e intimidações profissionais ele tenta extrair o maior potencial possível de seus alunos, com o custo de poder colocar a sanidade dos garotos em jogo.

Andrew se torna obstinado em mostrar sua competência e consequentemente realizar seu sonho, apesar das investidas cada vez mais constantes de Fletcher. Limites físicos e psicológicos deixaram de existir para Andrew, mas a que custo?

O filme é bastante original. Uma história nova, mas bem simbólica para muitas pessoas. Temos abordagens bastante distintas para ações já conhecidas. O jovem diretor e roteirista Damien Chazelle soube elaborar a relação entre professor e aluno de maneira ímpar. Para os cinéfilos mais antigos a comparação com o sargento Hartman de "Nascido para Matar" será inevitável.

(Spoiler! Só leia depois de ter assistido o filme)

Eu sinceramente não me simpatizei com a concepção do personagem Fletcher. Para mim ele é tão surreal quanto um Transformer. Nos dias atuais, duvido muito que exista um professor que de tapa na cara dos alunos para eles se dedicarem mais. A filosofia de ensino de Fletcher se baseia em um evento histórico do mundo da música: Charlie Parker levando um chimbal (Prato da bateria) na cabeça por estar tocando mal. 

Parker se motivou com isso, se esforçou e se tornou um grande músico. Todavia, John Smith, Greg Jones ou José da Silva NÃO são Charlie Parker. A reação de outras pessoas poderia ser diferente ao que ocorreu com Parker. Por tal motivo, Fletcher não poderia nunca cobrar de maneira tão insana o comprometimento e habilidade de seus alunos. Cada aluno possui um psique diferente. Cada pessoa responde diferente a certas situações. Como que um professor tão espertão quanto Fletcher não sabe de algo tão simples? Um professor de verdade deve saber de que maneira extrair o potencial de cada aluno, usando seus pontos fortes para chegar a esse fim. E não colocar na cabeça que seu método de ensino insano é o correto. Não estou dizendo que um professor não deva repreender de maneira coerente um aluno. Mais tudo tem limite. E essa é uma palavra que Fletcher desconhece. 

Prova disso foi o suicídio de um de seus alunos e a quase desistência de Andrew. Mais uma coisa... Se ele é tão exigente com os padrões musicais, por que motivo ele próprio não é o maior músico do mundo? Ele é apenas um professor! Que exemplo ele pode dar aos seus alunos? Ah, já sei... Um aluno que se tornou um grande trompetista, mas que algum tempo depois se enforcou? Que belo exemplo, né?

Certas cenas são forçadas demais. Fletcher humilha Andrew, mencionando sua mãe, e o menino não fala ou faz nada?? Eu já teria enfiado a baqueta no rabo do Fletcher faz tempo.

O final é muito subjetivo. Eles continuam brigados? Andrew se tornará um baterista famoso? A menina estava no auditório? Por que a mudança de temperamento tão súbita de Fletcher no final? Perguntas sem respostas. Em certos filmes, esse elemento até que cai bem... Mas achei que pontos demais ficaram em aberto em Whiplash. Não fundo, é um bom filme. Se você desconsiderar um pouco o surrealismo das situações, com certeza Whiplash será uma experiência gratificante. Como entretenimento com o bônus da lição de vida, Whiplash funciona perfeitamente.

As atuações são excelentes! J.K. Simmons deveria ganhar um Oscar (29/12/15 - Acho que previ o futuro, ele ganhou! Só falta o número da Mega-Sena agora).

É claro que a trilha-sonora é excepcional. As sequências de bateria são muito boas mesmo. Miles Teller desempenhou um papel difícil e conseguiu convencer. Uma atuação autêntica. Muitos jovens tentarão aprender bateria depois desse filme. 

Creio que o filme está sendo supervalorizado apenas por sua temática. Eu toco violão, flauta e gaita, e apesar de ser um protótipo de músico, tentei ser o mais imparcial possível na avaliação de Whiplash. Acredito que a grande massa não fez o mesmo. Whiplash como obra cinematográfica não é melhor do que "O Abutre", outro filme de 2014. Isso não impediu de Whiplash receber críticas melhores. Acho que é mais fácil se identificar com um músico do que com um jornalista sociopata (Não que eu seja sociopata, deixo bem claro, hein? Apenas gosto de ser sincero sobre filmes).

Concluo, recomendando Whiplash para todos, apesar de um ou outro errinho, é um filme brilhante.

NOTA: 8

Inferno no Faroeste (2013)

Olá, meus caros.

O durão mexicano Danny Trejo matando todo mundo como sempre. Um filme que foi lançado direto-para-DVD, mas que possui seus momentos. Ótimo entretenimento!

Trejo interpreta Guerrero, um líder de gangue traído por seus próprios companheiros. Guerrero não era um homem ruim... Ele não machucava mulheres nem crianças e se ninguém resistisse, ele não disparava um tiro sequer. Agora seus comparsas pensavam de outra maneira, instaurando o terror sempre que possível. Argumentos relacionados a isso levaram a traição e subsequente assassinato de Guerrero. Uma vez no inferno (Pô, ele era bonzinho, mas não um anjo), Guerrero conhece o tio Lucy, que por sua vez, vê muito potencial destrutivo e ódio reprimido em Guerrero. O diabo lhe oferece a oportunidade de voltar a vida, desde que Guerrero assassine os 6 homens que o traíram. Para o diabo é mais lucrativo ter 6 almas adicionais no inferno. Juntou a fome com a vontade de comer, né? 

Mickey Rourke como Lúcifer
De boas aqui fazendo um pacto com o Diabo
Guerrero volta a vida e desce o cacete em tudo que se mexe. Seus ex-companheiros acabaram tomando conta da cidade de Tombstone, conhecida por suas minas de ouro. A líder dos rebeldes é Red Cavanaugh, interpretado por Anthony Michael Hall (Em 1985, Hall participou do filme "O Clube dos Cinco" como um dos jovens da detenção).  A cidade virou um verdadeiro reduto de criminosos sob o controle de Hall. E ficará a encargo de Guerrero, junto com alguns outros cidadãos, restaurar a paz.



O filme não possui um roteiro elaborado. Vários clichês e algumas cenas desnecessárias. Mas como a cadência do filme é bem rápida, com diversas cenas de ação, nós nem percebemos. 

O visual é o que realmente chama a atenção. Ele soube aproveitar a estética dos faroestes antigos e acrescentar tons sórdidos bem originais. O filme possui uma atmosfera meio macabra, afinal, um dos personagens é o diabo em pessoa. 

Os poucos efeitos especiais que aparecem são muito bons. Boa trilha sonora e ótimas atuações dos personagens principais. Eu pensei que o filme tinha sido dirigido por Robert Rodriguez, realmente lembra bastante o estilão faroeste dele. Na realidade "Faroeste no Inferno" foi dirigido pelo holandês Roel Reiné, um inexpressivo cineasta que vez ou outra surta e realizada algo minimamente interessante. Este filme se enquadra nessa categoria.

O enredo é o problema sério do filme. Aquela velha história de "mocinho" caçando bandido. Poderiam ter inovado um pouco nesse quesito.



Concluindo, "Faroeste no Inferno" vale a pena para os amantes do saudoso estilo do faroeste. Pode ser frustante para audiências mais exigentes. Se você deseja um trama mais aprofundado, recomendo guardar este filme para uma oportunidade futura.

NOTA: 7.5

As Tartarugas Ninjas (2014)

Olá, meus caros.

Decepcionante! Realmente decepcionante! Hollywood tem a inexorável habilidade de acabar com tudo que é bom.

Clichês, roteiro superficial, excesso de efeitos-especiais... Tudo corroborou para que o filme ficasse com um infeliz sentimento de vazio... 

A essência se perdeu. Tenho pena das futuras gerações que não saberão com o que um filme realmente bom se parece.


A lista de defeitos do filme é interminável: 

- As tartarugas parecem mini-hulks a prova de balas;
- Os ninjas inimigos usam armas de fogo... Você já viu ninja usando metralhadora? De que planeta é esse ninja?
- O Destruidor parece um Transformer;
- O Mestre Splinter deixou de ser sábio para se tornar um badass que adora descer porrada;
- Deram muito espaço no filme para a April O'Neil (Megan Foxxx). O filme deveria se chamar "April O'Neil e as Quatro Tartarugas"!
- Mudaram toda a história original de como as Tartarugas se tornaram mutantes.

Enfim é melhor eu parar por aqui...

Não, só mais um pouquinho vai:

- O Leonardo praticamente não tem personalidade;
- Vilões desnecessários;
- Péssimas atuações (Com elencos glamourosos de hollywood, isso é mais do que esperado);
- O Donatello virou um nerd esquisito;
- E o principal: As Tartatugas usam mais o corpo para lutar do que as próprias armas! Que tipo de ninja é esse???
Nerdonatello
Se você gosta do Hulk com certeza vai adorar esse filme
Bom, esse novo filme das "Tartarugas Ninjas" não conseguiu agradar de maneira alguma os fãs antigos. Eu adorava os filmes da década de 90 que viviam passando na Sessão da Tarde. Dava para sentir algo a mais nos filmes antigos: Paixão. E não só o desenfreado desejo de fazer dinheiro. Acho que teria sido melhor deixar as Tartarugas como um símbolo cult, e pronto. 

Talvez as crianças e adolescentes dessa geração gostem, afinal é um filme de "super-herói". Mas não é nunca criticamente aceitável.

NOTA: 3

O Abutre (2014)

Olá, meus caros.

Minhas expectativas para "O Abutre" eram muito altas, pois todas as críticas que li sobre ele eram extremamente favoráveis. E acredite se quiser, algo realmente maravilhoso aconteceu. "O Abutre" superou e muito qualquer expectativa que eu tinha. Fazia tempos e tempos que isso não acontecia.

História: Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) é um sujeito excepcionalmente inteligente, mas de pouca sorte que sobrevive realizando pequenos furtos (Sucata, bocas de boeiro, relógios). Sua vida subitamente muda quando ele acaba entrando em contato com o submundo do jornalismo criminal independente.

O trabalho consiste primordialmente em chegar nas cenas do crime antes da polícia, e em sequência fazer o máximo de gravações possíveis. O último passo é vender as imagens para as emissoras de televisão, que colocarão as exclusivas imagens nos noticiários sensacionalistas.




Lou possui tendências sociopáticas e estará disposto a tudo para realizar seus objetivos, manipulando as poucas pessoas ao seu redor. 

"O Abutre" é uma obra neo-noir verdadeiramente original. Foi o primeiro filme dirigido por Dan Gilroy, que também assina o roteiro. Outros créditos de Dan incluem o roteiro de "Gigantes de Aço", e o roteiro de "O Legado Bourne" em colaboração com seu irmão, Tony Gilroy.

Tony foi o responsável pelo brilhante roteiro da trilogia Bourne. Ambos irmãos começaram a enveredar pelo caminho da direção. Uma boa notícia para o mundo do cinema.

Em "O Abutre" somos apresentados a uma estrutura narrativa muito bem lapidada. O roteiro é brilhante, apresentando uma profundidade psicológica rara. Todos os personagens são únicos e bem trabalhados. Renne Russo (Esposa de Dan Gilroy) interpreta Nina, a diretora do noticiário para o qual Lou vende as imagens. Riz Ahmed interpreta Rick, um jovem pobre que acaba trabalhando para Lou como seu navegador (Através de um GPS, Rick decide qual é a melhor rota para chegar a cena do crime antes da polícia) . A atuação de Riz Ahmed não deve ser subestimada, um jovem ator que conseguiu acrescentar belos toques de originalidade a sua atuação. Bill Paxton faz uma pontinha como um dos concorrentes de Lou.

Gyllenhaal esta em sua melhor forma, sem dúvida um dos melhores atores da atualidade, que por infortúnio, ainda não teve o reconhecimento devido. Sua melhor atuação até o momento.

Seu personagem é um sinistro manipulador de sangue frio (Aliás, creio que seja nitrogênio líquido no lugar de sangue!). Não se deixe enganar pelos simpáticos ideais de Lou Bloom, por traz de seu cadavérico semblante, um verdadeiro monstro aguarda o oportuno momento para usar de seus indóceis sortilégios. Um personagem multifacetado e insano na essência da palavra. Independente de ser politicamente incorreto identificar-se com um protagonista nesses moldes, toda a carisma do filme fica por conta de Lou. Sua disciplina e infalível dedicação são de fato invejáveis. Conforme Lou aprende mais sobre o submundo do jornalismo, suas necessidades se tornam maiores, e com isso a cada nova desafio, Lou se arrisca cada vez mais. Um insano retrato ambição.

O filme é absurdamente tenso. Nas cenas do crime ficamos estáticos, torcendo para que Lou consiga o que precisa. Outro elemento chave de "O Abutre" é a excelente fotografia. Apesar do filme inteiro se passar durante as noites de Los Angeles, não forçamos a vista uma vez sequer para ver o que está acontecendo (Justamente o inverso do que ocorre com os últimos filmes da saga Harry Potter). Não obstante, os ângulos da câmera realmente nos imergem na atmosfera da trama. Sentimos a presença dos personagens nas cenas.

Além de tudo isso, "O Abutre" possui uma cena de perseguição de arrepiar. Realmente não falta nada, temos suspense, drama e ação. Tudo unido com um ótimo roteiro. E quer saber o melhor? Não tem uma grama sequer de efeito-especial! Tudo foi feito nos moldes da velha guarda. Que delícia!



O filme realiza duras críticas a ética das emissoras, que estão dispostas a mostrar qualquer conteúdo que seja para não perder audiência, quase sempre invadindo a privacidade alheia. Em suma, "O Abutre" está no pódio dos melhores filmes de 2014. Assista a noite no maior silêncio possível. A imersão na trama será muito melhor aproveitada. Um Clássico Moderno!

NOTA: 9.5