Kingsman: Serviço Secreto (2015)

Olá, meus caros.

"James Bond encontra Tarantino!"

Lembra daquela época em que os cineastas não tinham medo de ofender as pessoas? Aquela época em que se arriscava? Em que se arregalava os olhos para o que era mostrado na tela? 

Bom, Kingsman: Serviço Secreto é exatamente isso! A mais bela ação sanguinolenta e cômica dos últimos tempos. Cumpre eximiamente seu papel como entretenimento.

O elenco do filme é pra lá de competente: Michael CaineColin FirthMark StrongSamuel L. Jackson e Mark Hamill. Além de apresentar os novatos Taron Egerton e Sophie Cookson.

História: Um excêntrico bilionário (Jackson), cansado de tantos conflitos e hipocrisia no mundo, desenvolve um projeto para dar fim a raça humana. Alguns fiéis agentes da organização secreta Kingsman deverão usar de todos os meios necessários para solucionar essa iminente ameaça.

A história base é simples, contudo, temos alguns enclaves que tonificam vários de seus aspectos. Por exemplo: Um dos agentes da Kingsman morre no começo do filme, com isso uma seleção para preencher a vaga é realizada. É aqui que somos apresentados a Eggsy (Egerton), o suposto mocinho. 

Não obstante, temos conspirações, reviravoltas, e claro, muito da melhor ação descerebrada que o cérebro humano consegue produzir! (Irônico)

Em certa ocasião, Quentin Tarantino comentou que tinha escrito um roteiro para um filme de James Bond. O diretor de Kingsman, nada menos do que Matthew Vaughn (Que também dirigiu o cômico "Kick-Ass"), deve ter lido esse comentário de Tarantino e se inspirou para realizar essa fabulosa sátira. Isso mesmo! Kingsman é uma sátira das eternas aventuras de espionagem popularizadas por Bond. 

Fui pego de surpresa quando descobri que Kingsman é baseado nos quadrinhos "The Secret Service" com desenhos de autoria de Dave Gibbons, que também ilustrou a história do quadrinho "Watchmen" (Um dos melhores quadrinhos já criados na minha opinião).


O filme é recheado de humor-negro, que por sua vez, ajuda a dimensionar todo o intuito da trama. É óbvio que temos algumas falhas e lacunas, mas são coisas razoavelmente simples e até podem passar desapercebidas. Uma coisa é falha, outra é exagero proposital. Li muitas críticas de pessoas apregoando o exagerado do filme. Mas entendam que nesse filme o exagero de diversas cenas faz parte da sátira em si.Os aspectos técnicos como figurino, trilha sonora e efeitos-especiais são ótimos e casam muito bem com a dinâmica do filme.

Me sinto compelido a mencionar uma das cenas, no caso, a sequência da igreja. Colin Firth provou aqui que consegue realizar qualquer papel. Estou falando de uma cena alucinante de pancadaria ao som de "Free Bird" de Lynyrd Skynyrd. Não dá para ficar melhor.

O filme é um bom entretenimento para audiências exigentes. Audiência essa que não se ofende facilmente com violência gráfica. Verdade seja dita, hodiernamente, uma boa ação precisa ir um pouco além e inovar. Kingsman conseguiu realizar isso e muito mais.

NOTA: 8.5

Qual é a diferença entre Terror e Horror?

Prestem muita atenção, caso contrário... Vocês lembram o que aconteceu com o Johnny Depp no meu primeiro filme, certo?
Olá, meus caros.

A linha de divisão entre terror e horror é bastante intrincada, em especial nos dias atuais, onde ambas denominações se mesclam com imensa facilidade. Isso não é necessariamente algo ruim, pois, geralmente um acaba complementando o outro. Mas existem filmes e livros que de fato conseguiram se ater somente a um dos gêneros. Esse pequeno texto será minha contribuição para tentar emoldurar melhor a definição de cada um desses temas.

Terror está relacionado com o medo. É geralmente descrito como o sentimento de pavor que precede o evento aterrorizante. A alegórica antecipação em defrontar-se com o horror. Terror é o desconforto do corpo causado por algo que transcende o mais forte instinto de auto-proteção. É algo que faz com que se queira enclausurar-se em um salvaguardado refúgio. É uma resposta mental ao acontecimento. Terror é ainda o apogeu do medo: o susto. Após o susto, abrem se as portas para o horror ou para o alívio.

Terror é querer se esconder embaixo do cobertor para evitar o bicho-papão. É adentrar na floresta escura. Ou até fugir de um psicopata. Terror engloba o mistério e o desconhecido, e não a violência e o sangue.

Horror, em contrapartida,  está diretamente relacionado com a repulsa. A simples existência de algo indigesto, de uma realidade sórdida que sentimos vontade de fechar os olhos para não presenciarmos. Uma angustiante sensação de repugnância. Uma aversão irreprimível a alguma teatralidade horripilante. Uma impressão física de espanto causado por algo medonho.

Horror é a característica reação a cenas de mutilação, estupro e assassinatos a sangue frio. Ou  ainda torturas, deformações e rostos desfigurados. Horror geralmente está relacionado ao sentimento de repulsa que ocorre após se presenciar atos desse tipo.

Bônus: 

Suspense, por sua vez, é o gênero que manipula o medo. Que sustenta a tensão. É o liame entre os elementos do terror. É a palpitação da mente. Suspense é a insegurança e a dúvida perante o desfecho. Não é necessariamente exclusivo do terror, pode ocorrer no gênero thriller também.

Bom, meus caros, espero ter ilustrado da melhor maneira possível as características inerentes a esses gêneros. Essas nomenclaturas levantam algumas dúvidas de vez em quando. Mais para a frente farei uma postagem com a diferença entre comédia e ação... kkkkk... Brincadeira...

Abraço a todos.

A Teoria de Tudo (2014)

Olá, meus caros.

Stephen Hawking é um físico britânico reconhecido mundialmente por ter criado a teoria de que os buracos negros emitem radiação. Hawking também é famoso por ter escrito uma série de livros, que por sua vez, explicam diversos conceitos físicos de maneira didática e descontraída, abusando de questionamentos filosóficos. Seu mais famoso livro (E também o seu primeiro) é "Uma Breve História do Tempo", que ficou 237 semanas na lista de mais vendidos da Inglaterra.

"A Teoria de Tudo" é baseado na autobiografia de Jane Wilde, a primeira esposa de Hawking. A biografia descreve como transcorreram os principais eventos da vida do físico, como por exemplo, seu casamento, o nascimento de seus filhos, sua conquista do doutorado e principalmente o desenvolvimento de sua doença, a esclerose amiotrófica lateral (Também conhecida como doença neuromotora). Tal doença é caracterizada pela perda de movimentos dos músculos, apesar do cérebro continuar em atividade. 

O filme é realmente cativante. Uma verdadeira lição de vida, que nos mostra mais uma vez que o espírito humano é capaz de todas as coisas. Hawking, mesmo com sua deficiência, conseguiu alcançar seus objetivos e se tornam um dos pilares da física moderna.

Eu cogitei cursar física nos primeiros anos de vestibular. Eu inclusive fui aprovado no melhor curso de física do país, mas no fim acabei mudando de área. Sempre que é lançado um filme sobre física/matemática eu dispenso um pouco mais de atenção, afinal eu realmente gosto desses assuntos. "A Teoria de Tudo" não é repleta de cálculos matemáticos mirabolantes ou roteiros quase incompreensíveis como em "Interestelar". Se focaram quase que exclusivamente na vida pessoal de Hawking... Suas frustrações e suas inúmeras conquistas. Em suma, o filme conseguiu me impactar como a tempos não acontecia (Não gosto de admitir, mas eu até chorei no final).

Eddie Redmayne interpretou Hawking no filme. Em muitos momentos acreditei que era o próprio Stephen na tela. Sério, meus caros, Redmayne conseguiu encarnar a persona de Hawking. Belíssima atuação. Sem dúvidas a interpretação mais convincente de Hawking, superando e muito Benedict Cumberbatch que interpretou Hawking em 2004. Eddie ganhou o Oscar de Melhor Ator por esse papel. 

A atuação de Felicity Jones, que deu vida a esposa de Hawking, também foi maravilhosa. Deram muito espaço para ela no filme. Bom, isso é de se esperar, afinal de contas, o filme é baseado na biografia dela. Era possível sentir a angústia da personagem em vários momentos. Desejaram retratar todas as dificuldades e frustrações (Sociais e até sexuais) que Jane precisou passar ao lado de seu marido. Hawking era um gênio, eu concordo, mas cuidar dele durante 30 anos não deve ter sido tarefa fácil. 

O nome do filme está relacionado com o desejo de Hawking (E praticamente todo físico) de descobrir uma equação, um único raciocínio matemático que explicasse absolutamente tudo dentro do universo... Sua criação, expansão, sua constituição física e se algum dia ele retrocederá ao seu estado inicial. Portanto, "Teoria de Tudo" é um nome mais do que apropriado. Todavia, veremos no filme que o Universo pode ser a vida e as conquistas de cada um.

Os aspectos técnicos do filme, como figurino e iluminação são razoáveis. A trilha-sonora é incrível e tem muita presença no decorrer do filme. Foi composta pelo islandês Jóhann Jóhannsson. O filme é despretensiosamente inofensivo. Muitas vezes lúdico. Agradável de se assistir, transcorrendo muito bem em toda sua extensão. 

Uma ou outra parte eu achei bastante controvertida. Hawking constantemente "zomba" de Deus. Nada muito grave, não estou falando de zombaria no estilo Gorgoroth (Clique aqui se tiver coragem), e sim de colocações inoportunas vez ou outra. Para Hawking não há necessidade de seguir a Deus, mesmo que se creia em sua existência. Hawking diz que as leis da físicas são perceptíveis e imutáveis. Que o Universo é governado pelas leis. Diz que podemos observar o mundo e até mesmo deduzir o futuro com considerável precisão, utilizando os conceitos da física. Para ele, pode ter sido Deus que criou as leis da física, mas uma vez que as leis se tornaram acessíveis para os homens, a crença em Deus se tornou algo obsoleto, pois Deus não interfere para quebrar as leis. Muitos descrevem sua doença como um castigo divino. Fica a encargo de cada um tirar suas conclusões.

Somos apresentados a cenas bem subliminares sobre o relacionamento de Hawking com sua esposa Jane. Momentos de sacrifício inerentes a qualquer casamento, mas que foram substancialmente potencializados pela doença de Hawking. No decorrer da trama somos expostos a um quadro das necessidades humanas mais primordiais. É claro que na vida real deve ter sido mil vezes pior do que é retratado no filme. Jane Wilde foi uma verdadeira heroína. Poucas pessoas teriam suportado a pressão que durante anos ela precisou carregar. 

Como eu disse, me comovi ao final do filme. A história de superação de Hawking é inspiradora. Ele nos mostrou que basta acreditarmos em nossos sonhos para atravessarmos os limites físicos do homem. O ser humano foi feito para conseguir, foi feito para se superar. Robert Berman, um dos professores de Hawking, disse sobre ele: "Só era necessário para Hawking saber que algo poderia ser feito, e ele conseguia fazer sem ver como as outras pessoas o faziam". Hawking superou as expectativas dos médicos, que lhe deram 3 anos de vida quando a doença foi diagnosticado, e mostrou para o mundo o que ocorre quando um ser humano está determinado em realizar seus sonhos.

Hawking continua a escrever e a dar palestras ao redor do mundo. Recentemente fez declarações drásticas sobre a sua teoria original, ressaltando que grande parte dela estava errada. O problema é que a grande maioria dos físicos do mundo já acreditam na fundamentação da teoria dele e não querem admitir tal conclusão. Ah... Bastidores do mundo da física... Deve ser demais entrar numa reunião de físicos, né?

Hawking também é reconhecido por sua teoria de que existem infinitos universos paralelos ao nosso, assim como é reconhecido por suas teorias sobre viagem no tempo.

Hawking ocupou dentre 1979 e 2009 o posto de Professor Lucasiano de Matemática na Universidade de Cambridge, onde concluiu seu doutorado. Essa cátedra já foi ocupada por Sir Isaac Newton.

Hawking recebeu diversos prêmios no decorrer de sua vida, inclusive a Medalha Presidencial da Liberdade (O maior prêmio dado a um civil pelo governo dos Estados Unidos) e o título de Cavaleiro do Reino Unido (Sir). Todavia, mesmo sendo inglês, Hawking recusou essa última honraria. Aparentemente o motivo foi um protesto a falta de financiamento para as ciências pelo governo inglês na época.


Recomendo "A Teoria de Tudo" para todas as audiências. É um filme realmente agradável que nos transmite uma mensagem muito importante: Sempre continuar, não importando as circunstâncias. Também é uma ótima maneira de se aproximar um pouco mais do mundo da física e quem sabe se apaixonar por ele. Para quem quiser seguir esse caminho, lhes garanto que ainda existem inumeráveis mistérios para serem descobertos no Universo. Como o próprio Hawking disse: "Não deve haver barreiras para o empenho humano. Por mais difícil que a vida pareça, onde há Vida, há Esperança".

Abraço a todos.

NOTA: 9

Lucy (2014)

Olá, meus caros.

E se nós usássemos 100% de nosso cérebro? O que aconteceria? Aprenderíamos outras línguas rapidamente? Teríamos poderes telecinéticos? Ou uma super memória? Essa é a premissa fundamental dessa ficção dirigida pelo francês Luc Besson, que na década de 90 nos agraciou com o maravilhoso filme de ação "O Profissional".

História: Lucy, uma jovem vivendo em Taiwan, se envolve por acidente com traficantes. Estes, por sua vez, usam Lucy para transportar uma nova droga. A C.H.P.4, como é chamada, foi cirurgicamente inserida dentro do abdome de Lucy. Quando o invólucro que contém a droga se rompe, graças ao chute de um traficante, a substância é absorvida pelo organismo de Lucy em grandes quantidades. Com isso, a "desafortunada" moça passará a utilizar 100% de seu cérebro. 


O problema começa nessa parte do filme. Até então, a narrativa era muito boa e até fazia sentido. Não obstante, a atuação de Scarlett Johansson como Lucy foi bem convincente.

Mas o exagero simplesmente conseguiu estragar tudo. Parece que Luc Besson estava no LSD quando escreveu o roteiro, que aliás levou incríveis 9 anos para ficar pronto!

Dentre as inúmeras proezas que Lucy consegue realizar estão: Telecinese, ler mentes, mudar a forma física, controlar a matéria, viajar no tempo e no final do filme nem queiram saber! Ou seja, juntaram a Mística, o Profº Xavier, a Jean Grey, o Ciclope e todos os outros X-Men em uma única pessoa.

Já entendi! Se uma pessoa cheirar 30 kg de cocaína azul, uma overdose diabólica é a menor de suas preocupações. Na realidade a pessoa se tornará um super-herói indestrutível e possuidor de todo sabedoria humana. Ah, esqueci de mencionar que irá obter a imortalidade! Sério mesmo, Luc? Que baixaria! Eu esperava isso de qualquer um, menos de você.


O exagero vai além, muito além do além, do máximo acreditável. Sem mencionar que a premissa do filme é totalmente falha. Usar 10% do cérebro é um dos maiores mitos da ciência. Já foi provado que o ser humano utiliza 100% de seu cérebro.

Nossas funções neurais não funcionam isoladamente, ou seja, todo o cérebro trabalha em conjunto para desempenhar as atividades psico-motoras e cognitivas. Já foi provado através de ressonância magnética a total funcionalidade do cérebro. Não existe nenhuma parte inativa na massa cinzenta do ser humano. Bom, talvez na do diretor Luc Besson exista...

Sabe, eu até entendo a intenção dele. A questão não é o fato disso ser verdade, e sim, se for verdade... Mas o exagero é tão inexplicável que toda a situação se torna mais furada que camisinha de prostituta.

Bom, vamos falar um pouco dos aspectos técnicos dessa baboseira pseudocientífica.

Como eu disse, Johansson começou atuando bem, mas depois que ela foi intoxicada pela droga sua atuação ficou chata pra caramba. Sem expressão, sem graça, sem coração, sem tudo. Sei lá, acho que o diretor queria que ela parecesse um robô.

Morgan Freeman tá mais ou menos. Min-Sik Choi (O Oldboy da versão coreana) interpreta o líder dos traficantes. Não foi uma atuação fantástica, mas foi a melhor desse filme.

Músicas ruins sempre fora de lugar. Péssima cena de tiroteio (Todo mundo erra os tiros, depois de um tempo chega um coreano maluco fazendo um ultra powerslide e explode tudo com uma bazuca!!).

O filme também possui uma horrenda imprecisão arqueológica, descaradamente ensinando errado para as audiências.

Lucy foi o nome dado para o "primeiro" fóssil de um de nossos descendentes. De cerca de 3.2 milhões de anos, o fóssil em questão era uma fêmea do Australopithecus afarencis, encontrada em 1970 na Etiópia pelo antropólogo americano Donald Johanson. Lucy era considerada a primeira primata com uma estrutura esquelética adaptada ao andar ereto.

O nome do primata Lucy é uma homenagem a célebre canção dos Beatles, Lucy in the Sky with Diamons. Todos sabemos da época em que o quarteto de Liverpool era aficionado por drogas sintéticas. Tal fato ficou registrado em diversas de suas músicas, inclusive a mencionada. Observe as iniciais das palavras: LSD. Esta, por sua vez, foi a mesma droga que a Lucy do filme foi exposta.

Em 1982 foi descoberto o fóssil do Ardipithecus ramidis, um homídio ainda mais antigo que Lucy. O título de homídio mais antigo foi perdido por Lucy já faz tempo! Mas parece que Luc Besson não se importou com esse "detalhe" e resolveu fazer tudo errado mesmo...

É realmente irônico, Luc Besson fez um filme onde a protagonista usa 100% de seu cérebro, mas para o expectador gostar o mínimo possível, ele terá que desligar o cérebro totalmente!

A único elemento interessante do filme é o fato dele levantar reflexões filosóficas sobre a existência humana. De onde viemos? Para onde iremos? Esse tipo de coisa. Ando percebendo através de livros, filmes e pesquisas que o ser humano anda se importando muito com o tempo. E esse é um dos temas discutidos no filme: a imortalidade da mente/energia. O finitude da existência nunca esteve tão em alta. Será que estamos com medo do futuro? Da decrepitude inevitável da carne?

O filme levanta uma ou outra questão interessante, mas no geral, simplesmente não convence. Luc, por favor, use 100% do cérebro da próxima vez. Só recomendo para quem é fã(nático) pela Scarlet.

NOTA: 4 

Filhos da Esperança (2006)


Olá, meus caros.

Dirigido por Alfonso Cuáron, "Filhos da Esperança" é uma adaptação do livro homônimo de P.D. James. Já lhes adianto: é um excelente filme! A mensagem por trás da obra é extremamente pertinente e atual.

História: O filme se passa em 2027. Por algum motivo (Não explicado na trama) todas as mulheres do planeta começam a se tonarar inférteis vinte anos antes. Gradativamente a sociedade entra em colapso, pois, deixam de haver crianças no mundo e o ser humano percebe que seu tempo se tornou finito. Guerras nucleares acontecem, sendo a Inglaterra o último lugar onde se pode encontrar algum tipo de "civilização". A imigração ilegal para a Inglaterra é controlado com mãos de ferro por um governo totalitário. Uma mulher chamada Kee acaba engravidando, e fica a encargo de Teo (Clive Owen) levá-la para um lugar seguro. Seu filho representará uma nova luz na sociedade, trazendo esperança para todos. Todavia, um grupo de "ativistas políticos" deseja se apoderar do bebê para controlar o sentido de esperança que será dada ao povo.

O filme critica o autoritarismo ensandecido dos governos totalitários, que aparenta ser o único caminho para os tempos de catástrofes que nos esperam no futuro. O rico terá uma vida... E o oprimido sequer saberá o que é isso... Temos uma bela crítica a hipocrisia das causas políticas, onde muitos sequer entendem o que estão defendendo. O que na realidade era para ser uma ação voltado ao bem-comum, se torna uma desenfreada corrida atrás de poder e ideais distorcidos. A sociedade se torna distópica com uma facilidade estarrecedora. Isso se já não se tornou...

Um ataque frontal ao controle da mídia é descrito nos primeiros contatos com o filme. Somos transportados em uma jornada critica que passa pelos veículos de comunicação e pela burocracia estatal até os hediondos campos de concentração. O filme é um épico da fé e da esperança, que mesmo em meio aos piores presságios de ganância e futilidade, conseguem resplandecer nos corações de alguns.

Os detalhes estéticos da obra são excepcionais. Realmente se empenharam em construir um mundo destruído! Irônico, né? A sensação de apocalipse é inerente ao filme. A trilha-sonora é belíssima. Fiz questão de descobrir quem foi o compositor. A trilha-sonora não é original, na realidade são composições de Sir John Tavener (1944-2013), um concertista britânico respeitado por sua extensa obra de cunho religioso. 

Hilário, bicho!
Michael Caine interpreta Jasper Palmer, um vovô maconheiro que descobriu a fórmula para o baseado de morango (Ia fazer sucesso em várias universidades do Brasil, vocês não acham?). Caine se inspirou em John "Fucking" Lennon (Seu amigo na vida real) para criar a postura de seu personagem. No passado, Jasper havia sido um renomado cartunista político. Ele conheceu Teo, que era um ativista político, nesse passado nem tão distante e continuaram amigos até os eventos retratados no filme. Julianne Moore faz uma pontinha no filme.

A cena final é muito bem orquestrada. Filmada em tomada longa, os apreços pelos detalhes e pelo realismo merecem elogios.

O único "defeito" do filme é o exagero da Lei de Marino (Sabe, eu não achei uma nomenclatura para descrever uma Lei de Murphy invertida, portanto, decidi criar minha própria). Para os que não sabem ou não lembram, a Lei de Murphy é caracterizada pela máxima: "Se pode dar errado, dará!" Ou seja, espere o pior das situações, porque com certeza o pior acontecerá. A lei de Marino é o contrário da lei de Murphy: "Se pode dar certo, dará. Não importando as probabilidades. A Sorte estará ao seu lado.".

Apesar de todas as adversidades Teo e Kee sempre conseguem escapar. Não há psicopata, burocracia ou tiro de canhão que os detenha. Eles sempre escapam de uma situação mais desesperadora que anterior, não importa qual o inimigo. Sei lá, pareceu muito forçado, sabe? Eu sei que o filme é sobre a esperança... Sobre a fé... A luz em meio as trevas... Mas cai entre nós, se fosse na vida real eles teriam sido alvejados antes da metade do filme. Simples assim.

Escapar de tiros não é um problema, pelo menos para Clive Owen que no ano seguinte estrelou "Mandando Bala" (Para ler a crítica clique aqui), onde ele também salva um bebê, mas dessa vez é ele que sai matando os bandidos.

Concluo, recomendando veementemente "Filhos da Esperança". Uma experiência cinematográfica gratificante, recheada de boas atuações e ótimas críticas que continuam bastante atuais. Um verdadeiro estudo da hipocrisia e da esperança.

 NOTA: 8.5

Sniper Americano (2014)


Olá, meus caros.

Realmente leiam essa análise antes de assistir a este filme! Vou estar salvando o tempo de vocês.

Dirigido por Clint Eastwood, "American Sniper" me decepcionou muito. Mais um filminho onde os EUA são os heróis e podem fazer o que quiser para "salvar" o mundo da tirania terrorista. Uma verdadeira propaganda do "heroísmo" americano! Um cachorro lambendo a própria caceta. Essa é a única frase que me vem a mente para descrever esse filme. 

Sabe, eu concordo com a intervenção militar dos EUA no Oriente Médio, mas não da maneira que foi feita. Sabe que tipo de valores os iraquianos ou afegãos se importam? Legalizar o casamento de meninas de 14 anos, fazer as mulheres se vestirem da maneira que os homens desejam, intolerância a outras religiões que não o islamismo, oprimir as minorias étnicas, doutrinação prematura de jovens ao movimento extremista jihad... Dentre muitos outros belíssimos "valores".

O pretexto para a invasão americana no Iraque/Afeganistão se deu sob as seguintes circunstâncias:

- Guerra do Iraque (2003-2011) - Acusação de que o país possuía armamentos nucleares; Extinguir o governo de Saddan Hussein; Pacificar a região.

- Guerra do Afeganistão (2001-2014) - Retirar o grupo extremista Talibã do poder; Desestruturar a organização terrorista Al-Quaeda. (Bônus: Vingancinha pelo 11 de setembro)

Bom, em relação a existência de armamentos nucleares no Iraque, todo mundo já sabe que isso foi uma grandiosa mentira. Além do mais, o exército estadunidense (Odeio chamar de americano! Todo mundo que nasce na América é americano, não só eles. A América não é um país!) poderia muito bem ter encerrado a guerra em uma semana. Nunca seriam necessários dez anos para encontrar uma bombinha nuclear. Qual o sentido de fazer os soldados entrarem de casa em casa procurando por um líder terrorista específico? Olha o tempo perdido! E mesmo que encontrem o sujeito, vocês acham que no mesmo dia não colocarão algum outro maluco no lugar?

Depois do 11 de setembro, os EUA tinham a aprovação da população para ingressar na guerra. Invadiram o Afeganistão em 2001 e o Iraque em 2003. Nada melhor para a economia deles, já que a indústria bélica americana é uma das mais rentáveis do mundo. Guerra da dinheiro! E muito! Isso é fato. Por tal motivo, a guerra/invasão demorou 10 anos. Foram 10 anos de lucro e influência na região. Tiraram Saddam Hussein do poder, colocaram uma marionete que simpatiza com os EUA no lugar, e pronto, o país é deles.



Gradativamente, começou a cair a ficha na mente da população estadunidense. Sabe, morriam centenas de soldados e nada de bomba nuclear ser encontrada. Eles acreditaram no governo, que usou da carga emocional do 11/09 para realizar seus próprios objetivos, e se ferraram. Com o tempo a população parou de apoiar a guerra e exigiu a retirada das tropas do Oriente Médio. Antes de sair completamente do Afeganistão o governo mandou assassinar Osama Bin Laden (Fato esse que poderia ter sido realizado 10 anos antes).

Se feito da maneira correta, não teria sido necessário destruir metade do Oriente Médio para provar alguma coisa. Vai lá, faz a vingancinha básica pelo 11/09 (Não vou nem comentar sobre os débi-lóides que acreditam que foram os EUA que destruíram as Torres Gêmeas. Tem gente que não tem o que fazer), dá uns tapas nos aiatolás pedófilos, assassina o Bin Laden e pronto.

O filme "Enterrado Vivo" (Para ler a análise completa clique aqui) levantou uma questão importante sobre a invasão no Oriente. Paul, um motorista de caminhão trabalhando para uma empreiteira americana no Iraque é sequestrado e enterrado vivo. Os sequestradores só irão soltá-lo mediante o pagamento de um resgate. Paul tem pouco tempo para entrar em contato com as autoridades e convencer o governo americano a pagar o resgate, pois, se ele não realizasse isso em 6 horas, os terroristas o deixariam enterrado até sua morte. Paul se comunica por um celular. Uma das conversas com os terroristas me chamaram a atenção.

Paul: Por que você fez isso comigo? Eu não sou um soldado! Não tenho nada a ver com essa guerra em seu país!
"Terrorista": Eu também não tinha nada a ver com Bin Laden ou com Saddan Hussen, mas isso não impediu vocês de virem até meu país e destruí-lo...
Paul: Eu não sou um soldado!
"Terrorista": Você é americano?
Paul: Sim!
"Terrorista": Então você é um soldado...
Paul: Eu tenho dois filhos!
"Terrorista": Eu tinha cinco! Agora só tenho um!

O que você faria em um país destruído? Um país em que todas as pessoas que algum dia você conheceu, morreram, vítimas das atrocidades da guerra? Como você se sentiria se fosse hostilizado por um povo hostilizado por você mesmo? Ter pontos de vista diferentes realmente podem enobrecer e expandir o domínio sobre dado assunto. Uma crítica construtiva sobre a brutalidade de ambas as partes. No fundo todos somos seres humanos. E quando o ser humano é colocado no limite de sua existência, percebemos o que ele realmente é capaz de fazer para sobreviver.

Se havia algum país no mundo com poder para acabar com a tirania social daquela região, eram os EUA. Todavia, eles acabaram piorando a situação para os árabes. Tudo por dinheiro. Sabia que são empreiteiras estadunidenses as responsáveis pela reconstrução do Iraque? Sabia que aos poucos empresas dos EUA e da China estão tomando conta dos poços de petróleo da região? Será que o governo dos EUA pensou mesmo em patriotismo ou democracia quando invadiu o Oriente?


Na minha opinião, dinheiro trás felicidade sim. Mas muito dinheiro deixa o ser humano cego, cobiçoso e imprudente. É melhor ter um pouco menos e se apegar a coisas mais importantes para a vida: Família e amigos.

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Bom, vamos falar dessa porcaria de filme agora. Eu deveria chamar de propaganda, sabe?

A história é baseada na biografia de Chris Kyle (Bradley Cooper), o sniper mais letal da história dos EUA. Kyle mandou para o além 160 terroristas/rebeldes/insurgentes na Guerra do Iraque e se tornou uma lenda viva.


Depois que pediu baixa, Kyle ficou meio doido. Ele queria voltar para a guerra e ajudar seu país, mas não tinha mais jeito. Para aliviar um pouco a pressão, Kyle se voluntariou em um hospital de veteranos para ajudar a cuidar dos soldados feridos na guerra. Um desses pacientes estava mais perturbado que o normal e acabou matando Kyle.

Poxa, que azar do caramba, hein? O cara fica 4 anos no Iraque, mata 160 rebeldes, volta para casa, vai ajudar seus parceiros no hospital e é morto por um demente! Que grandessíssimo azar.

Kyle foi assassinado em 2013. Foi um evento televisionado para o país todo. Seu funeral foi em um estádio de futebol americano com todas as regalias militares existentes.

Não esperaram nem o corpo esfriar e já fizeram um filme. Já vão usar do apelo emocional mais uma vez. Tudo para fazer dinheiro. Que vergonha Clint!

O filme nem é tão bom! Sério, o trailer é melhor que o filme. Passaram a impressão que a profissão de sniper envolvia difíceis tomadas de decisões. Pelo trailer, o filme parecia ser bastante tenso e dramático. Que nada! A primeira cena é a melhor do filme inteiro. O resto é propaganda. Não dá para sentir simpatia pelo evento. Não dá para se identificar com uma guerra, ainda mais uma que foi feita pelos motivos errados.


Sienna Miller interpreta a esposa de Kyle. Péssima atuação! Aquele tipo de atriz que faz careta e fica balbuciando palavras e pensa que está chorando. Quase tive um ataque!

((Spoiler - Mas esse eu recomendo ler))

Na cena final temos um tiroteio, ou pelo menos é o que parece. É difícil dizer, pois, todos os terroristas começam a vir em fila indiana para serem mortos pelas tropas americanas. Sério, caracterizaram os terroristas como seres descerebrados e os americanos como Robocops. Mais para a frente vem uma tempestade de areia grotesca e impede que vejamos qualquer coisa. Que merda é essa? Na cena final eles colocam uma tempestade de areia que impede que o expectador veja a batalha?? Que bosta...

Bradley Cooper até que atuou bem como Kyle. Nada a reclamar.

O roteiro é um lixo e a trilha-sonora é ausente. Esse filme não chega nem perto de seus antecessores: "Falcão Negro em Perigo" e "Guerra ao Terror" (Ambos também caem naquele problema da guerra não fazer sentido, contudo, o filme soube trabalhar de maneira diferente as ações dos personagens. Humanos servindo o seu país e não heróis matando bandidos. No geral, são filmes excelentes).

Apesar do nome "Sniper Americano", temos pouquíssimas cenas onde Kyle usa a sniper. Uma no começo, uma no meio e uma no fim. Só! Apenas 10 minutos em um filme de 2 horas. Propaganda enganosa. Faz mais sentido chamar o filme de "Soldado Americano", pois ele usa mais a M16 do que a sniper. Focaram muito na relação de Kyle com a sua família e seus companheiros.


O filme é completamente linear, sem um trecho sequer de "penumbra especulativa". Não dão lugar para a interpretação do expectador sobre as ações dos personagens. Somos apresentados a uma visão minimalista da guerra, onde tudo é simples quando se trata de servir seu país. A guerra foi glorificada de um ponto de vista extremamente vantajoso.

É triste ver o quão baixo o cinema hollywoodiano parou. E é mais triste ainda saber que pessoas acreditam nesse lixo (A maioria dos americanos acredita).

Houve um tempo quando os filmes de guerra de Hollywood levantavam importantes questões sobre a necessidade da guerra. Filmes como "Platton", "Nascido para Matar" e "Apocalypse Now", nos passam a mensagem de que todas as guerras, justificadas ou não, são erradas e não passa de um ato do atraso humano. Um ato da cobiça e das segundas intenções.

Hoje em dia os filmes de guerra são apenas comerciais para levar o público americano a crer na ideia de que invadir um país estrangeiro é uma permissão dada por Deus. O fato desse filme ter sido nomeado para o Oscar de Melhor Filme (E ter ganho melhor edição) só demonstra que um prêmio que algum dia significou algo, não passa de um divulgador de propagandas.

"Sniper Americano" pode ser assistido para levantar raciocínios políticos, mas para entretenimento, acredite, existem filmes de guerra muito melhores e mais sinceros por aí.

NOTA: 3

Drácula: A História Nunca Contada (2014)


Olá, meus caros.

Esqueça a história literária de Drácula. Esqueça até mesmo qualquer outro filme sobre esse personagem. Não tente comparar. Esse filme é uma nova aproximação ao conto de Drácula. 

O escritor irlandês Bram Stoker publicou "Drácula", sua mais famosa obra, em 1897. Stoker se inspirou nas lendas de criaturas noturnas da Transilvânia, assim como na personalidade histórica de Vlad Tepes, conhecido como Vlad, o Empalador, Príncipe de Wallachia (Região da atual Romênia). A casa real a qual Vlad pertencia era denominada Casa do Dragão, ou em romeno arcaico Draculea. Já deu para entender, né?

O sufixo "drac" que antigamente significava "dragão", hoje possui outra conotação, significando "diabo". No romeno atual, "balaur", é o correspondente para "dragão". Tal tradução equivocada levou a crer que Vlad era um diabólico tirano. Bom, para dizer a verdade talvez ele seja, como veremos a seguir.

Vlad não era um cara bonzinho, isso é historicamente comprovado. Durante seus 6 anos de reinado é estimado que Vlad tenha matado entre 40.000 e 100.000 civis inocentes, na maioria das vezes por empalamento. Entretanto, Vlad foi o único que conseguiu conter as invasões turco-otomanas de maneira consistente, garantindo grande estabilidade política na Wallachia por vindouros anos. 

Stoker só se inspirou em Vlad para criar o vampiro Conde Drácula. Nesse filme Vlad é o próprio vampiro. Não se trata da versão literária e sim de uma repaginação do mito. No filme Vlad precisou se tornar um vampiro para salvar sua família e seu país. Salvar de quem? O exército invasor turco, liberado pelo sultão Mehmed II (Essa invasão realmente existiu, mas não da maneira descrita no filme).

Se você se importa com precisão histórica é melhor não assistir esse filme. Tanto o livro de Stoker quanto os fatos históricos foram quase que completamente alterados. Os roteiristas misturaram a realidade com a ficção. Como entretenimento o filme é ótimo, mas como aula de história lhe garanto que você irá ser reprovado na prova. Essa realmente é uma história nunca contada.

Eu adoro o Drácula. O verdadeiro! Não essas porcarias de "Crepúsculo & Cia." Gostei da abordagem que deram para o personagem nesse filme. Mostraram um lado mais humano de Drácula, assim como levantaram questões importantes. O que você faria para defender a sua família? Princípios ruins que levam a consequências boas é uma medida viável? O filme trabalhou muito bem com esses preceitos.

No começo do filme se preocuparam em fundamentar o contexto histórico, citando inclusive a origem do mito dos vampiros. Nessa parte até que eles acertaram. Mais para a frente é que os roteiristas chutam o pau da barraca (kkk).

Realmente adorei a escolha de Luke Evans para interpretar Drácula. Sua fisionomia facial me lembrou muito do eterno Bela Lugosi, o melhor de todos os Dráculas.

A cinematografia é ótima, assim como os efeitos-especiais. As armaduras são iradas! A trilha-sonora é excelente e possui muita presença. Esse é indiscutivelmente o Drácula mais forte já imaginado. O cara pega um exército inteiro no muque!

O único problema do filme se deu a partir da segunda metade. A história perde consistência e fica hollywoodiana demais. Mas ainda assim é razoavelmente interessante.

No geral, "Drácula - A História Nunca Contada" é um filme extremamente divertido e merece ser assistido.

NOTA: 7.5