WyrmWood - Road of the Dead (2014)

Olá, meus caros.

Fiquei realmente surpreso quando terminei de assistir "Wyrmwood - Road of the Dead", uma trama pós-apocalíptica de zumbis. Sábado a noite, eu só queria me distrair um pouco. Os screenshots do filme me chamaram muito a atenção, e desse modo, resolvi dar uma chance.

É um filme independente australiano, o primeiro do diretor Kiah Roache-Turner. Eu geralmente só menciono diretores desconhecidos quando eles fazem um bom trabalho. E esse foi o caso.

O slogan do filme é "Mad Max encontra Madrugada dos Mortos". E de fato isso aconteceu. Além do filme acrescentar alguns toques originais, nunca antes explorados em um filme dos nossos tão amados mortos-vivos.

História: Um talentoso mecânico uni forças com outros sobreviventes para resgatar sua irmã, que por sua vez, está sendo mantida prisioneira para experimentos macabros.

Simples e objetivo. Poxa, dá um desconto! É um filme independente, sinônimo de orçamento menor que o cérebro do Eike Batista.

O enredo é fraco e ainda por cima mal explicado. Não é dito de que maneira o apocalipse começou. Somos apresentados apenas a uma hipótese: não foram bombas, ou algum tipo de vírus que transformou grande parte da raça humana em zumbis, na verdade o que está ocorrendo é o Arrebatamento do Juízo Final. Sim, aquele descrito na Bíblia. O filme explica até esse ponto. Muitos que não entendem da religião cristã podem ficar perdidos. Não que importe muito, pois, ser religioso não é o foco do filme. Mas para sanar qualquer dúvida irei terminar de explicar.

Teoricamente, as pessoas que não se transformaram em zumbis são aquelas que não ouviram o evangelho e não tiveram a oportunidade de crer na salvação divina. De tal modo, elas continuarão na Terra até se converterem para então serem salvas no Segundo Arrebatamento. 

O próprio nome do filme é uma referência a um evento bíblico. Wormwood (Com "o" e não "y") é uma estrela cadente que cai na Terra poluindo as águas. Um terço das pessoas que não foram arrebatadas na primeira leva, padeceram de doenças relacionadas a intoxicação pela água. Tal estrela aparece depois que o Terceiro Anjo do Apocalipse soa sua trombeta. 

Bom, mesmo que você não acredite em Deus ou no Juízo Final, tente por alguns momentos imaginar como seria o tenebroso fim do mundo... Sem zumbis, sem vampiros. Apenas o ser humano exposto a condições extremas. Sinceramente, esse é o monstro que nós mais deveríamos temer.

((Spoiler - Só leia depois de ver o filme!))

Entretanto, algo não faz sentido. Os humanos que permaneceram na Terra são todos do tipo de sangue A negativo. Aparentemente, existe uma toxina no ar que transforma em zumbi todos que não correspondem a esse tipo de sangue. Por que motivo, somente pessoas desse tipo sanguíneo não foram infectadas, intoxicadas ou arrebatadas (Seja lá como vc queira chamar)?? 

Os zumbis exalam combustível pela respiração, certo? É interessante, eu admito. Mas eles poderiam ter explicado isso um pouco melhor. 

O filme não explica nada de maneira coerente. Como eu disse, somos expostos apenas a uma concepção sumária da trama. É frustante chegar ao fim de um filme sem respostas para as questões abertas no mesmo.

A maquiagem dos zumbis filme é absolutamente fantástica. Coloca muita produção pomposa no chinelo. Construíram veículos no estilão de Mad Max que também ficaram espetaculares. Deu para perceber que todos os envolvidos no filme se empenharam ao máximo para fazer algo de qualidade. Com instrumentos de trabalho limitados, característica de uma produção indie, conseguiram criar um universo original e chamativo, que convence na medida do possível.

Adorei as atuações da meia-dúzia de atores. Viscerais e honestas. Com certeza os atores não ganharam nada pelo filme, e se ganharam foi uma mixaria. Os seja, o que nós temos aqui é paixão pelo terror. Pura e simples! Nada melhor.

O filme possui alguns defeitos graves, pelo menos na minha opinião. A cinematografia é por vezes arenosa e opaca demais. Potencial jogado fora, pois, a maquiagem dos zumbis é incrível e deveria ter sido destacada ao máximo. Não obstante, a trilha-sonora é virtualmente ausente, aparecendo em breves momentos. Talvez o dinheiro tenha acabado ou o diretor desejou dar um toque de "suspense". De uma maneira ou de outra, realmente faltaram algumas músicas mais agitadas para dar mais dinâmica ao filme. Um rock'n'roll de qualidade casaria perfeitamente com a cadência das cenas de perseguição.

As referências aos filmes clássicos de terror e ação são infindáveis. Também possui diversas cenas hilárias. O filme funciona como entretenimento e homenagem.

Resumindo, "Wyrmwood - Road of the Dead" foi um filme feito por fãs para os fãs. Não há nada melhor do que sentir que houve comprometimento na realização de um filme. Recomendo, "Wyrmwood" para os adoradores do glorioso terror!

NOTA: 7

Um Estranho no Ninho (1975)

Olá, meus caros.

Recentemente, comentei com minha namorada que gostaria de analisar um filme que fosse, ao mesmo tempo, comicamente sinistro e brilhantemente filmado. Bom, não existem muitos filmes com essas qualificações, tenho certeza que isso é claramente compreensível. Contudo, para a alegria de todos os amantes da 7ª Arte, no ano de 1975 um checo virtualmente desconhecido na América, idealizou uma das maiores obras-primas do cinema. E está obra se enquadra nos meus requisitos.

O diretor em questão é Milos Forman (Que também dirigiu a obra-prima "Amadeus") e o filme que estou mencionando é "One Flew Over the Cuckoo's Nest", traduzido no Brasil para "Um Estranho no Ninho", baseado no livro homônimo de Ken Kesey lançado em 1962.

Foi um dos três filmes a ganhar as principais categorias na premiação do Oscar. O famoso "Big Five" é composto pelas categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Atriz e Melhor Roteiro. Os outros dois que conseguiram realizar essa proeza foram "Aconteceu Naquela Noite" de 1934 e "O Silêncio dos Inocentes" de 1991. Eu não ligo muito para prêmios, mas era bom mencionar.

História: R.P. McMurphy (Jack Nicholson) é um sujeito baderneiro que fora sentenciado a prisão por seus insipientes crimes. Para evitar os trabalhos manuais de uma prisão comum, McMurphy acaba alegando insanidade, com esperanças de ser enviado para uma instituição mental para cumprir o restante de sua pena. O pedido de McMurphy é atendido. Ele ingressa no manicômio passando a acreditar que sua vida será mais fácil daqui para frente. Mal ele sabe que a instituição é controlada pela tirana enfermeira Ratched (Louise Fletcher), que por sua vez, se sente gratificada em reprimir os pacientes de todas as maneiras possíveis. Os enfermeiros do manicômio estão mais preocupados em administrar a loucura do que curá-la. McMurphy não concorda com os sórdidos métodos adotados pela instituição, e sendo um otimista inveterado, ele tenta elevar os ânimos de seus companheiros de todas as maneiras inimagináveis.


Esta obra consegue mesclar a sensibilidade dos injustamente oprimidos e a insanidade repressiva dos tiranos, caracterizando um quadro bastante primoroso das enclaves humanos. Sua beleza se destaca nos extremos. Somos apresentados a cenas cômicas para logo em seguida presenciarmos uma pavorosa realidade da maldade humana.

Jack Nicholson está em sua melhor forma. O papel é simplesmente perfeito para ele. Seu rosto de louco ajudou bastante, mas seu apelo dramático é ainda mais memorável.

Louise Fletcher interpreta um dos mais nefastos antagonistas do cinema. O horror de sua personagem reside no fato de pessoas como ela realmente existirem. Seu metodismo beira a maledicência. Sua frieza e imparcialidade tornam sua própria existência algo indigesto.

Todas as atuações convencem. Interpretar um doente mental não é tarefa fácil para qualquer ator, por tal motivo todo o elenco merece ser destacado.

Diversos atores que viriam a se tornar famosos participaram do filme como os outros pacientes do manicômio. Dentre eles: Brad Dourif (A voz do Chucky, o Boneco Assassino), Christopher Lloyd (O Dr. Emmett Brown de "De Volta para o Futuro"), e o eterno Danny DeVito. 

Destaco a atuação Dourif que interpretou Billy Bibbit, um jovem completamente perturbado que chegou a realizar algo que... Bom, vou deixar vocês descobrirem...

Louise Fletcher e Brad Dourif
Jack & Chief
Milos Forman conseguiu idealizar uma obra poeticamente sincera que prende nossa atenção do começo ao fim. A mensagem de sensibilidade é um dos focos. Este filme consegue provar que o cinema pode mudar as pessoas. O cinema pode ajudar as pessoas a abrirem seus olhos. Uma obra nesses moldes possui força suficiente para isso. O realismo de "Um Estranho no Ninho" é arrebatador.

Todos devem assistir "Um Estranho no Ninho" pelo menos uma vez na vida. Um filme que transcende a linha de mero entretenimento para fazer jus ao cinema. Para fazer jus a 7ª ARTE!

NOTA: 10

Garota Exemplar (2014)


Olá, meus caros.

"Garota Exemplar" é o novo thriller investigativo do diretor David Fincher. É difícil de acreditar que um cineasta nunca tenha feito um filme ruim, mas Fincher se encaixa nesse parâmetro. Outros de seus créditos incluem "Seven", "Zodíaco" e a obra-prima "Clube da Luta".

Não irei comentar muito sobre "Garota Exemplar". Discernirei somente minhas impressões sumárias. Qualquer análise mais profunda pode entregar parte da trama e desse modo o suspense seria reduzido, se não extinguido. Porém, já lhes adianto que é um ótimo filme.

História: Nick Dunne (Ben Affleck) é o principal suspeito do desaparecimento de sua esposa Amy (Rosamund Pike). O caso acaba se tornando uma grande manchete sensacionalista na televisão. Nick, só piora a sua situação quando começa a omitir informações da polícia. Junto com sua irmã ele precisará provar sua inocência e encontrar Amy. 

Em "Garota Exemplar" somos apresentados a uma trama surreal demais para convencer ao contato inicial. Tudo parece uma indefinida brincadeira. O mistério parece glamouroso demais para ser realidade. Todavia, conforme o filme se desenrola, a tensão aumenta consideravelmente,  e acabamos sentindo mais simpatia pela narrativa.

Somos apresentados a um relacionamento caótico e insincero que beira os limites da sanidade. Como Nick está em busca de sua esposa desaparecida, o filme é contado em partes por flashbacks, que por sua vez,  podem ou não ser reais. 

Não gostei da atuação de Ben Affleck, que ficou o filme inteiro com cara de bunda. Sua atuação não convence. O filme possui diversos erros na narrativa, precisamos forçar demais para acreditar nas situações apresentadas. Diversas ações inconsistentes, que nos fazem perguntar se os personagens tinham cérebro.

Bom, pelo menos para mim, o brilho do filme está nas críticas. É difícil esbarrarmos em uma obra que alfinete tanto a hipocrisia e os comportamentos doentios do ser humano.

Crítica pela falta de comprometimento e diálogo em um relacionamento. Crítica a falta de sensibilidade das pessoas. Crítica a mídia sensacionalista, que está disposta a tudo para gerar dinheiro. Crítica a alienação da massa, que se deixa influenciar muito facilmente pelo que é dito na mídia. Crítica da futilidade humana. Crítica da psicopatia presente em muitos que se escondem atrás de rostinhos bonitos...

Eu poderia continuar mas acho que vocês já entenderam. Ou seja, além de um bom filme na essência da palavra, "Garota Exemplar" nos abre as portas para refletirmos sobre alguns temas mais sérios.

Inúmeras pessoas reclamaram do final. Ele é subjetivo e interpretativo, mas não ruim. É simplesmente uma abordagem inconvencional para um thriller.

Vale a pena conferir "Garota Exemplar". Me lembrou muito de Hitchcook, só por esse fato já foi uma experiência recompensadora.

NOTA: 7.5

Caminhos da Floresta (2014)


Olá, meus caros.

"Caminhos da Floresta" é o mais novo musical da Disney. Eu particularmente não me afeiçoou por musicais, e em certo ponto cheguei a pensar que o problema estava em mim. Talvez eu não entendesse o estilo suficientemente para gostar dele.

Mas esse filme me fez pensar em algo interessante que refutou essa minha concepção. Eu realmente sou apaixonado por "Jesus Cristo Superstar" e por "The Rocky Horror Picture Show". Já "Caminhos da Floresta" eu não terminei nem de assistir. 

Portanto, o problema não está em mim e sim nos filmes. Está provado que eu consigo gostar de um musical, mas sinceramente a maioria é uma porcaria na minha modesta opinião. "Caminhos da Floresta" me surpreendeu com as péssimas músicas e ridículas interpretações. Eu sai do cinema em poucos filmes, este estando incluído.

História: Fábulas mundialmente famosas como Cinderela, Rapunzel e Chapeuzinho Vermelho se entrelaçam acidentalmente. Todos os personagens estão em uma Floresta Encantada tentando concretizar seus respectivos objetivos, seja levar o doce da vovó ou chegar ao baile a tempo. Uma bruxa (Meryl Streep) pede para um padeiro certos itens, dentre eles a capa vermelha de chapeuzinho e o sapato da Cinderela, em troca ela irá retirar a maldição imposta sobre a família do padeiro.

O elenco é grandioso, com destaque para Meryl Streep e Johnny Depp. Entretanto, nem isso conseguiu salvar o filme. A ideia do filme é original, apresentando uma renovação interessante nos famosos contos de nossa infância. Mas a execução é fraca.

Johnny Depp interpreta o "Lobo Mal". Coloquei entre aspas, pois aquilo está longe de parecer um lobo. Na realidade é o Depp com bigode. Ficaram mais preocupados em mostrar o rosto do ator do que instaurar um pouco de realidade a trama. Nosso querido Jack Sparrow vai de mal a pior nas telonas. Eu ainda não assisti seu outro novo filme, chamado "Mordecai". E sinceramente vou pensar duas vezes antes de chegar perto do cinema. "Mordecai" está recebendo críticas terríveis!

Meryl Steep interpreta a Bruxa. É isso, ela não tem nome. Apenas Bruxa. Nossa, que criatividade!! Atuação bem fraca e sem graça, sinceramente nem pensei que fosse a talentosa Streep.

Mas minha maior queixa são as músicas. Isso que me fez parar de assistir. Um musical ter uma trilha-sonora ruim é inaceitável! Simplesmente inaceitável! Músicas chatas que dão dor de cabeça. Nada marcantes! Realmente espero que esse pedaço de lixo seja esquecido o mais rápido possível! Walt Disney teria um infarto se visse essa tentativa de filme! NÃO PERCAM SEU TEMPO!

NOTA: 0

Prêmios


Você concorda que as premiações do cinema devam existir? Estou falando sobre o Bafta, Saturn, Globo de Ouro, Palma de Ouro e principalmente o Oscar. Essa postagem será bastante pessoal. Não peço que você concorde comigo. Tento analisar filmes da maneira mais imparcial possível, mas dessa vez irei expressar minha opinião do por quê eu não concordo com a existência dos prêmios no cinema.

Quem acompanha o blog sabe que eu não dou muita atenção para os prêmios. Eu não ligo se esse ou aquele filme ganhou Oscar. Se esse ou aquele ator tem 5 Globos de Ouro.

Se houve uma época em que os prêmios valeram alguma coisa, hoje eles são apenas jogos políticos e/ou um amiguinho presenteando o outro. Sem mencionar a especial predileção por filmes da moda ganharem prêmios. 

Vocês sabiam que são os próprios atores da Academia que votam nos ganhadores do Oscar? Agora será que o detestável James Franco tem senso crítico para participar de uma escolha tão importante? Me diz você...

Já fomos agraciados por verdadeiros desastres na premiação do OSCAR:

- Al Pacino não ter ganho um prêmio por Scarface. 
- Stanley Kubrick, o maior diretor de todos os tempos, nunca ganhou Oscar de Melhor Diretor.
- O grandioso "Cidadão Kane", talvez o maior filme de todos os tempos, perdeu o Oscar.

Sem mencionar inúmeras  outras atrocidades. Não dá para levar a sério uma instituição dessas. 

Outro motivo por eu não dar atenção aos prêmios é simples (Deixando a politicagem de lado e deduzindo que a premiação será feita da maneira mais honesta possível). Se você recebe um prêmio, é sinal que as pessoas decidiram que você o merece. E quando você não recebe, significa que as pessoas decidiram que você não o merece. Delimitar uma linha tão subjetiva é mera inconsistência e está sujeita a diversos erros. Às vezes, um filme importante para certo diretor, apesar de bom, não é nem mencionado. É frustrante para os próprios artistas.

Não estou falando que a meritocracia não é importante. Estou dizendo que as premiações visam a concretização de seus próprios interesses.

Os prêmios, americanos ou europeus, são apenas instrumentos de perpetuação de influência, garantindo mais dominação sobre o senso crítico da massa populacional. Já ouvimos muito a frase: "Esse filme ganhou Oscar de melhor filme" ou "Essa atriz ganhou Palma de Ouro". Eu sempre penso: "E daí?".

O cinema, assim como a música, deixou de ser uma arte para se tornar uma indústria. E o que uma indústria gosta? Isso mesmo, dinheiro. Simples assim. E para consegui-lo tais indústrias estarão dispostas a tudo, inclusive manipular a mente das pessoas, instaurando em nosso cerebelo o que é e o que não é bom.

Além do mais os prêmios americanos tendem a não arriscar. Dificilmente eles premiam um filme que abusa de uma temática mais incomum. Religião, sexo e política (Se não for a americana) estão de fora. Eles também tendem a não premiar filmes que abusam de sangue (Caso não seja o Tarantino. Está vendo quando eu disse que é um amiguinho presenteando o outro).

Filmes realmente bons são excluídos da lista simplesmente por possuírem elementos diferentes. De vez em quando, Hollywood toma uma decisão correta. Mas de "vez em quando" não é o suficiente, pelo menos para mim.

Sinto um pouco mais de afeição pelas premiações europeias. Assim como os americanos, elas erram feio às vezes, mas no geral percebo uma melhor escolha dos indicados.

O único prêmio relativamente interessante é aquele que o próprio público escolhe. Creio que a imparcialidade seja maior. Contudo, até este está sujeito a distorções. Por exemplo, um fanboy (Pessoas fanáticas por certas celebridades ou filmes) irá fazer de tudo para votar 1000 vezes em um certo filme (Geralmente essas votações são feitas pela internet). Aí não adianta nada.

Os prêmios de festivais independentes ou de algum círculo de críticos tendem a ser mais precisos quando se trata de selecionar os vencedores.

Resumindo, a melhor época do Oscar foi quando ele não existia. Não se deixe enganar por esses moldes de ouro. 

Abraço a todos!

Mil Séculos Antes de Cristo (1966)

Olá, meus caros.

Na década de 60 entrou em ebulição um estilo peculiar de filmes: Histórias de dinossauros. Curiosamente, a Hammer Films, enveredou por este caminho (Para fazer um dinheirinho a mais) e produziu "Mil Séculos Antes de Cristo".

A Hammer Films é um estúdio britânico que ficou famoso nas décadas de 50 e 60 por fazer remakes dos filmes clássicos de terror da Universal da década de 30. 

Ou seja, Drácula, Frankenstein, O Médico e o Monstro, dentre outros clássicos, foram refeitos com uma didática mais compatível com a da época. Foi acrescentado sangue e nudez! Assim como, a dupla Christopher Lee e Peter Cushing se imortalizou na história do cinema como os maiores "badasses" do terror. Como a maioria dos filmes do Hammer, "Mil Séculos Antes de Cristo" também é um remake, neste caso do filme americano "O Despertar do Mundo" de 1940.

Uma fantástica aventura pré-histórica, recheada de divas da época, incluindo a bela Rachel Welch. Com certeza, seu filme mais icônico. Não é por menos, vocês não acham?

Peraí que eu vou ter um infarto e já volto...
História: Um corajoso, mas encrenqueiro caçador chamado Tumak é banido de sua tribo depois de brigar com seu pai, o líder troglodita Akhoba. Após vagar pela vastidão do deserto, Tumak é resgatado por uma tribo mais "civilizada" daquela a qual pertencia. A nova tribo, além da caça, também sobrevive da agricultura. A organização entre os membros é muito mais clara, cada grupo se responsabilizando por uma tarefa. Loana (Raquel Welch), uma das integrantes da estonteante ala feminina da tribo, se afeiçoa por Tumak assim que se conhecem. Sua admiração cresce ainda mais quando Tumak salva uma criança de um ataque de dinossauro. Contudo, a paz de Tumak não dura muito. Ele acaba se interessando por um novo tipo de arma, uma lança mais moderna, que a tribo constrói para se proteger, e consequentemente entra em confusão com um dos integrantes da nova tribo. Tumak é banido  novamente. Mas dessa vez ele não estará sozinho. Loana se apaixona por ele e decide acompanhá-lo. Disposto a confrontar o pai, Tumak opta por regressar a sua tribo. Juntos, Tumak e Loana precisarão enfrentar as tenebrosas adversidades do mundo pré-histórico e aniquilar o tirano líder Akhoba.

O filme não possui diálogos. As ações dos personagens são responsáveis pela comunicação e não as palavras. Um elemento interessante que deu um toque de veracidade a trama, afinal, a linguagem oral realmente não deveria existir. 

Outro aspecto bastante interessante são os efeitos-especiais dos dinossauros, realizados em stop-motion pela mestre Ray Harryhausen. Na época não existiam efeitos-especiais computadorizados, portanto, as coisas tinham que ser feitas no braço!

STOP-MOTION é a técnica onde um artista cria figuras (Dinossauros, pessoas, plantas...) usando massa plástica, deixa a figura imóvel e tira uma uma foto. Em seguida, a figura é mexida alguns milímetros e se tira outra foto. Depois de repetido esse processo algumas centenas de vezes, coloca-se uma foto em sequência da outra em velocidade. A impressão que temos é das figuras estarem se movimentando. Com isso, seres antes só imaginados poderiam tomar forma na tela do cinema.

O filme mais famoso de stop-motion é sem dúvidas a versão original de KING KONG.

Harryhausen não foi o criador dessa técnica, mas ele foi o responsável por populariza-la. Outros de seus créditos incluem: "Jason e os Argonautas" (1963), "A Nova Viagem de Sinbad" (1973) e "Fúria de Titãs" (1981). Harryhausen faleceu em 2013 aos 92 anos.



"Mil Séculos Antes de Cristo" possui uma grotesca imprecisão histórica: Humanos e dinossauros nunca coexistiram! 

Os temíveis lagartos gigantes da pré-história foram extintos, provavelmente por um meteoro do tamanho do ego do Cristiano Ronaldo, por volta de 65 milhões de anos atrás. O primeiro vestígio do Homo sapiens data por volta de 200.000 anos atrás, ou seja, temos um lapso temporal de algumas dezenas de milhões de anos.

Bom, como o próprio Harryhausen disse: "Fizemos esse filme para os jovens se divertirem e não para professores exigentes."

Sinceramente, eu concordo. Já li críticas de pessoas acabando com o filme por esse erro. Se formos julgar lógica, "Star Wars" ou "Noite do Pesadelo" se tornam os filmes mais impossíveis que existem. Cinema é para entreter, o resto é bônus. E daí se tem um errinho ou outro. É só não dar nota dez. 

Tartaruga no deserto? O roteirista deixou a lógica em casa.
Temos outro erro. Mas dessa vez a culpa é do Brasil. Ou melhor, dos departamentos de distribuição do Brasil. Já estamos acostumados com as alterações ridículas que fazem nos títulos dos filmes, certo? Nesse caso o erro foi matematicamente insano.

O título original de "Mil Séculos Antes de Cristo" é "One Million Years B.C.". Na tradução literal fica "Um Milhão de Anos Antes de Cristo".

Mil séculos são: 1000 x 100 = 100.000 anos. 

Poxa! De 1 milhão para 100.000 temos 900.000 anos de diferença! 

Deixando esses detalhes de lado, "Mil Séculos Antes de Cristo" é muito divertido. As cenas de luta entre os dinossauros são extremamente bem feitas. Os esfeitos especiais de Harryhausen se tornaram icônicos. Temos vulcões em erupção, terremotos e toda sorte dinossauro, 30 anos antes de Jurassic Park ser lançado. É demais! 

O filme soube trabalhar bem com a tensão e os ângulos das câmeras. Tudo é perfeitamente compreensível. É um filme simples, mas de muito bom gosto. Sem dúvidas um belo filme para assistir com a família numa sexta a noite. "Mil Séculos Antes de Cristo" cresceu com o tempo e hoje é considerado um clássico menor.

NOTA: 8

Livre (2014)


Olá, meus caros.

A contribuição para o cinema do diretor canadense Jean-Marc Vallée este ano, não foi nem de longe tão boa quanto a do ano passado com o filme "Clube de Compras Dallas". "Livre" é uma biografia da jornada sentimental de Cheryl Strayed

História: O pai de Cheryl era um alcoólatra (Nossa, só ela teve um pai assim, né?). Bobbi, sua mãe, aguentou enquanto deu. Mas depois de casos de violência doméstica ela larga o marido e vai criar Cheryl e seu outro filho sozinha. Com dificuldades e abrindo mão dos próprios sonhos, sua mãe consegue criar Cheryl e seu irmão da melhor maneira possível. Amor foi algo que não faltou na criação das crianças. Quando Bobbi, a mãe super otimista e batalhadora morre devido ao câncer, Cheryl, com então 22 anos, fica arrasada, em parte poque antes da doença, Cheryl não dava muita atenção para mãe, constantemente jogando coisas na cara dela. Uma mulher egoísta e mimada, simples assim. A maneira que Cheryl encontrou para lidar com a perda foi começar a usar drogas pesadas (Maconha era tira-gosto para ela. Estamos falando de heroína), assim como trair seu amoroso marido com 95% dos homens do planeta Terra (E talvez de outros planetas!). Nisso, o maridão vai lá e salva ela do mundo das drogas, mas pede o divórcio. Cheryl, com o pouco dinheiro que possui, decide ingressar em uma jornada de auto-aperfeiçoamento espiritual. Bom, nada melhor para tal objetivo do que fazer uma trilha, não é? 

É isso! O filme inteiro ela fica andando e chorando. Andando e chorando. Durante 1000 km! Não é por menos que ela chora, depois de todas as cagadas que ela fez. O peso na consciência deve ser dos grandes. Para ela, fazer uma trilha é a suposta redenção dos pecados.

Nascer em um lar ruim ou ficar abalado por algum problema, NÃO é motivo para fazer merda. Ainda mais quando a merda vai magoar os outros. TODO MUNDO tem problemas, a vida é assim. Sempre existirão obstáculos, temos que saber lidar com eles e superá-los. Cheryl poderia muito bem ir tocando a vida com o marido e uma hora tudo ia dar certo. Mas não foi o que ela fez.

Agora eu gostaria de saber uma coisa... O diretor queria que eu tivesse compaixão por uma piranha drogada? Bom, se essa era a intenção, Jean-Vallée encontrou o expectador errado. Não me identifiquei e não senti simpatia nenhuma pela personagem. Os poucos momentos de sufoco que ela enfrenta na jornada, como uma unha arrancada ou esbarrar numa cascavel, é pouco perto do que ela merece. Ela constantemente pedia ajuda para outras pessoas, então, no fundo, o que ela fez nessa porcaria de jornada?? Fez eu perder meu tempo!

Não tem como sentir interesse em qualquer coisa que ela faça. Falta motivo para se afeiçoar por ela. Talvez só drogados consigam sentir o mínimo de compaixão por Cheryl.

O filme em si, na estrutura narrativa, é péssima. Totalmente sem dinâmica. Como assistir uma corrida de tartarugas em câmera lenta. A trilha sonora indie é de um mal gosto tenebroso. Me deu urticária. Um filminho de hipster feito para hipster.  

Só temos duas coisas boas no filme. A atuação da Reese Whiterspoon, independente da personagem tola que interpreta, foi muito boa. A fotografia também é razoável, mas cai entre nós, ir lá no meio das montanhas, planícies e florestas, e apenas deixar a câmera parada, não é algo tão difícil. Esse ponto não vai para o diretor ou cameraman, e sim para Deus, afinal foi ele quem criou o cenário.

Só recomendo o filme para quem é fã, mas fã mesmo de Reese Whiterspoon. Tem entretenimento muito melhor por aí.

NOTA: 3